"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Novo mandato, velho neoliberalismo: Dilma e o ataque ao seguro-desemprego.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Dilma afirmou que não mexeria em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”. Sua afirmação era uma propaganda contra Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), que segundo os petistas, caso eleitos, tirariam direitos dos trabalhadores. O presidente do PT, Rui Falcão, tomou a frase como slogan de campanha para a militância petista ir às portas de fábricas dizendo: “não vão mexer nos nossos direitos nem que a vaca tussa”. A vaca já tossiu. Dilma usou uma medida provisória (de responsabilidade apenas do Executivo) para mexer nas regras da pensão por morte, auxílio-doença, seguro defeso para pescadores no período onde a pesca é proibida e no seguro-desemprego. 

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Muito já foi escrito sobre essa retirada de direitos e mudanças administrativas no recebimento dos benefícios. Vamos focar em outra questão: o efeito para a luta dos trabalhadores que causa a mudança do seguro-desemprego. Temos percepção clara que a mudança dificulta o recebimento do benefício, sendo o tempo de trabalho obrigatório para receber o direito passando de 6 meses para 18 meses (o triplo do tempo), causando forte impacto negativo nas lutas por melhores condições de trabalho, salário e direitos. 

A maioria dos empregos criados durantes os Governos do PT foram no setor de serviços. Empregos de baixa qualificação, baixos salários, alta rotatividade (o trabalhador não passa muito tempo no emprego) e marcados por várias denúncias de assédio moral, adoecimento, não cumprimento das leis trabalhistas, etc. A maioria das pessoas empregadas são jovens, muitos usam o trabalho como forma de financiar sua faculdade, carro ou casa; e, cumprem uma jornada dupla ou até tripla (no caso das mulheres). 

O setor de telemarketing que emprega mais de um milhão de pessoas no Brasil é o caso clássico dessa situação. Uma rotatividade média de 7% ao mês, denúncias de violações e abusos por parte dos patrões, salários baixos e sem qualquer perspectiva de crescimento profissional. A mudança no seguro-desemprego pega em cheio esses jovens que trabalham no setor de serviços. Mais de 80% dos jovens no mercado de trabalho não vão receber o direito. É notório que nesses ramos da economia a atividade sindical é mais difícil e a luta por direitos é mais fraca. Justamente pela alta rotatividade e a baixa qualificação do trabalho, o que faz com que a ameaça de demissão seja muito forte. 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O legado político-administrativo de Eduardo Campos (parte II): nepotismo, aparelhamento da máquina pública e personalismo.


Continuando a série de textos críticos sobre o legado político-administrativo [1] de Eduardo Campos, vamos falar de sua forma de gestão na máquina pública e do seu partido, o PSB. Os elementos analisados contribuíram para desmistificar a áurea do líder moderno e democrático que Eduardo Campos criou sobre si mesmo – usando muito dinheiro público para isso, é claro. Vamos demonstrar a prática de nepotismo no aparelho do Estado, o aparelhamento da máquina pública e lembrar alguns episódios da dinâmica interna do PSB que explicitam bem o modo eduardiano de fazer política.

Reprodução
Eduardo Campos, como bom marqueteiro que era, sempre procurou passar uma imagem dissociada de suas práticas reais. Seu governo aprovou a lei complementar N° 097, de 01 de outubro de 2007, que criminalizava o nepotismo. Nepotismo é a prática de empregar parentes na máquina pública. Depois de aprovada esse lei, Eduardo usou todomarketing imaginável para mostrar que Pernambuco, no seu governo, estava livre de várias práticas nepotistas e coronelistas. Vamos à realidade:

Os jornalistas Conceição Lemes, Chico Deniz e Daniel Bento fizeram uma ampla pesquisa nas nomeações de parentes na Era Eduardiana, e ao final do último mandato chagaram a essa conclusão:

Atualmente, sete primos – antes eram nove – ocupam cargos na administração estadual de Pernambuco, além de, pelo menos, mais dois sobrinhos, uma tia, o sogro, uma cunhada e um ex-cunhado. Não estão incluídos aí os dois tios e a mãe do governador que estão em postos na administração federal. [2]

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A política de remoções da gestão Tucana no Jaboatão.

Na última quarta-feira (10/12/2014) um grupo de ambulantes fecharam a Avenida Barão de Lucena, em Jaboatão Centro, manifestando-se contra as ações da prefeitura do município que ordenou a retirada do comércio informal das vias. O problema envolvendo ambulantes em Jaboatão dos Guararapes não é de hoje. Já no início do ano (mês de março para ser mais exato) comerciantes protestaram na Avenida Agamenon Magalhães, em Cavaleiro, outro bairro do município. No mesmo mês, cerca de 50 pessoas fecharam os dois sentidos da Rua João Fragoso de Medeiros, agora no bairro de Dom Helder. A causa dessas manifestações é a mesma: reação a política anti-popular da prefeitura que tem como gestor o Tucano Elias Gomes (PSDB).

Centro de Jaboatão dos Guararapes | Reprodução

As condições de vida no município não são das melhores: serviços básicos como educação já chegou a ter destaque negativo em plena rede nacional. Tendo em vista esse preocupante cenário, não é novidade que muitos jovens e adultos procurem seu meio de vida em empregos informais como o comércio ambulante, tão típico nas áreas pobres das cidades. 

Os mercados públicos que deveriam servir como espaço de trabalho para os comerciantes, estão hoje em precárias condições de estrutura e higiene. Dos três principais mercados do município, apenas o de Prazeres foi reformado pela prefeitura. Os outros dois, o de Cavaleiro e Jaboatão Centro, encontram-se num preocupante estado de insalubridade, dificultando a comercialização de alimentos por parte desses pequenos comerciantes. Esses só querem uma solução: lugar para trabalhar dignamente. Com medo que Betinho Gomes (filho do prefeito) perdesse votos, a prefeitura tratou de continuar sua política de remoções após as eleições. Sem qualquer tipo de diálogo e tendo ainda por cima sua ação acobertada pela Lei nº 973, aprovada pela Câmara de Vereadores em 2013 que consiste em proibir a comercialização em locais públicos para garantir a mobilidade nas calçadas, a prefeitura não hesitou em expulsar os feirantes como lixo do seu local de trabalho sem qualquer contrapartida.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O legado político-administrativo de Eduardo Campos (parte I): guerra fiscal e privatização do orçamento público.

Esse ano ficará marcado na política nacional. Foi a primeira vez em nossa história que um candidato a presidente morreu de maneira trágica poucos dias antes do início do processo eleitoral. Eduardo Campos tornou-se quase um mito em Pernambuco. Sua gestão é mostrada como moderna, eficiente, arrojada, transparente e democrática. Ele mesmo gostava de passar esse perfil. Eleito o melhor governador do Brasil, ganhador de prêmios internacionais; criticar seu governo era tarefa árdua. Tanto que temos poucos nomes no cenário político e intelectual pernambucano que se dispõe a isso. Pretendo produzir uma série de textos debatendo o legado político-administrativo da Era Eduardo Campos, focando em vários temas. O primeiro será a guerra fiscal e a privatização do orçamento público. Veremos se a propaganda da administração moderna e eficiente corresponde à realidade.


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Eduardo Campos prometeu combater a política de guerra fiscal. Guerra fiscal acontece quando os estados da federação procuram reduzir impostos e dar vantagens para empresas se instalarem em seu estado e não em outro. Campos dizia que esse tipo de política acaba com o federalismo, prejudica a democracia e era uma irresponsabilidade com o orçamento público. Prometeu não só ser contra à guerra fiscal, como liderar um movimento nacional pela reforma tributária para acabar com essa prática. Depois de eleito a coisa mudou. 

O governador praticou uma política altamente agressiva de guerra fiscal. O principal imposto estadual, o ICMS, foi desonerado para várias empresas, principalmente as que vinham para o Porto de Suape – a maior vitrine da Era Eduardiana. Mas o governo Campos não se contentou em isentar empresas de impostos, o Governo também doou o terrenos, fazia a terraplanagem, reordenava a malha viária, propiciava licença de poluição e criava escolas técnicas só para atender as empresas. Heitor Scalambrini Costa, professor da UFPE e um dos poucos críticos do Governo de Eduardo, descreve bem essa política:

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Favela da Maré resiste: o necessário debate sobre a militarização das favelas.

Já se passaram vários meses desde que começou a ocupação militar na Favela da Maré. O discurso oficial do Estado é que se trata de "pacificação", contudo, desde que a operação começou tivemos 12 assassinatos no interior da Maré e 16 no entorno e várias denúncias de racismo, agressões, torturas e humilhações cometidas pelo Exército contra os moradores. O Rio de Janeiro é o melhor exemplo dessa política de militarização das favelas. A política de UPP é mostrada como um grande sucesso em um discurso repetitivo e monolítico escondendo o aumento brutal do número de desaparecimentos, torturas, humilhações, agressões e medo nas comunidades. O caso Amarildo foi um dos muitos que acontecem diariamente; um dos poucos que ficou famoso.

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A associação de moradores da Maré relatou as torturas e abusos e solicitam audiência com o secretário de segurança para resolver a questão [1]. Esses casos não são isolados. A política de militarização das favelas está diretamente associada à política de privatização das cidades. As favelas serviram por anos a fio como um instrumento territorial de controle e segregação das classes trabalhadoras. Como o objetivo do Estado nunca foi moldar a dinâmica interna das favelas, mas garantir que as favelas cumprissem sua função de controle e segregação houve de certa forma uma "desterritorialização" do poder estatal. A dinâmica interna de solidariedade, produção cultural, relacionamentos sociais das favelas era controlada pelos próprios moradores. Com a necessidade de expansão do capital via especulação imobiliária e megaeventos, é necessário romper com a dinâmica interna das favelas, retomar o controle e destruir qualquer barreira à expansão do capital.

O modelo de cidade-negócio, que considera qualquer território da cidade como um potencial investimento de capital, necessita re-territorializar o poder do Estado e esmagar a resistência dos moradores. É essa a principal função das UPPs e da política de militarização. O combate ao "crime organizado" não passa da legitimação ideológica dessa política e o combate ao tráfico só é feito na medida em que o tráfico atrapalha os planos do capital (prova disso é que nas milícias ninguém mexe). Portanto, temos que ter claro: a ocupação militar na Favela da Maré não trouxe segurança para os moradores, não acabou com o medo, com a tortura, humilhações, racismo e assassinatos. Mas está preparando um ambiente saudável e seguro para os investimentos do capital.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Capital produtivo versus capital financeiro: a falácia do bom capital

É muito comum em várias organizações de esquerda a sustentação da falácia de que existe um capital ruim, só especulativo, que não produz nada (o “capital financeiro”) e um capital bom, produtivo, que gera emprego, que desenvolve o país (o “capital produtivo”). Vou tratar rapidamente do quanto essa ideia é errada e o quanto sua adoção pode gerar consequências políticas horríveis para quem pretende lutar pelo socialismo.

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No início do desenvolvimento capitalista, na Europa do começo do século XIX, era possível fazer uma diferenciação maior entre as diversas frações do capital. Ao fim desse século começa a haver um processo de concentração, fusão, cartelização e monopolização da economia. Lênin em seu clássico “Imperialismo: etapa superior do capitalismo” mostra, com uma série enorme de dados estatísticos, essa concentração monopolística da economia. Ao final do XIX e nas primeiras décadas do XX já tínhamos uma configuração de algumas dezenas de empresas gigantes, com sede em vários países, dominando setores estratégicos da economia e estendendo suas malhas pelo mundo através do imperialismo neocolonial (dominação militar, exportação de capitais, abertura a força de mercados, etc).

Lênin ao analisar os novos fenômenos do capitalismo percebeu que uma nova fração do capital se tornou a dominante, o capital financeiro. Capital financeiro para Lênin e a maioria dos teóricos marxistas é a junção entre capital bancário e capital industrial, com a primazia do primeiro, que de simples intermediário passa a ter o controle da atividade econômica do mundo, detendo capacidade de investimentos e quantidade de capital suficiente para subjugar várias economias aos seus desígnios. Ou seja, capital financeiro é a junção entre capital bancário e industrial na fase monopolística do capitalismo, são “produtivos” e “especulativos” ao mesmo tempo. Antes de ir ao próximo ponto cumpre destacar que podemos considerar o conceito “produtivo” do capital de duas formas: capital que faz o intercâmbio orgânico com a natureza mediado pelo trabalho e produz valores de uso (conteúdo material da riqueza), e; capital não importando a forma com que produz mais-valia. Para o capital, ambos são “produtivos”.

domingo, 13 de abril de 2014

O atraso das bolsas estudantis da UFPE e o descaso com a educação.

Nessa segunda-feira (14/04) estudantes da Universidade Federal de Pernambuco farão um protesto contra o atraso absurdo de suas bolsas acadêmicas na reitoria da universidade às 10 horas da manhã. Os atrasos são recorrentes, mas esse mês beira o trágico. O pagamento deveria ter sido efetuado dia cinco, mas hoje (13/04) ele ainda não foi feito e vári@s estudantes não terão dinheiro para pagar sua passagem de deslocamento à universidade nos próximos dias – o autor desse texto é um desses estudantes – caso as bolsas não sejam depositadas. 

Reprodução | NE10

Todo esse atraso se insere num quadro mais amplo de descasos e abusos maiores com @s estudantes. A expansão sem qualidade proporcionada pelo REUNI, que visa apenas suprir as demandas do mercado capitalista por mão de obra, colocou vári@s estudantes na universidade sem uma política de assistência estudantil adequada. As bolsas demoraram em ser reajustadas, quando o são normalmente não acompanham nem o índice de inflação do ano – fazendo com quê @s estudantes acumulem perdas “salariais”. Muitas bolsas ao invés de estimular o pleno envolvimento do estudante na “vida acadêmica” servem de mão de obra barata. Estudantes são colocados para fazer serviços de técnicos administrativos da UFPE, seja nas bibliotecas, seja nas secretarias de curso. O autor dessas linhas teve a experiência de trabalhar na secretaria do departamento de FONO da UFPE como secretario, cumprindo praticamente funções de técnico administrativo, mas sem ganhar nem metade do salário de um técnico. Aí junte o insuficiente valor das bolsas, o uso d@ estagiári@ como mão de obra barata, com os atrasos que acabam trazendo vários prejuízos aos estudantes – como atraso no pagamento de contas e o pagamento de juros que corroí as miseras bolsas. 

domingo, 5 de janeiro de 2014

O significado teórico-político da aliança entre PSDB e PSB em Pernambuco.

Essa semana, em Pernambuco, uma notícia que já aparecia há muito no horizonte foi concretizada. A aliança entre PSB e PSDB. Inicialmente parece ser algo paradoxal, um partido que se diz socialista e defende uma “Nova política” (PSB) e o outro que é socialdemocrata no nome, mas neoliberal na prática e conta com fortes tendências proto-fascistas, bastando ver seu governo no estado de São Paulo. A despeito das aparentes diferenças ideológicas, os dois partidos, que terão candidatos diferentes para presidência da república - Eduardo Campos pelo PSB e Aécio Neves pelo PSDB - representa a mesma coisa. A mesma coisa no sentido de representarem a mesma classe, a continuidade do modo de produção capitalista na sua face neoliberal. 

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Para explicar esse aparente paradoxo, ou seja, como dois partidos aparentemente diferentes podem representar a mesma classe, o mesmo projeto político, teremos que recorrer a algumas categorias da teoria política marxista. Acreditamos que as famosas incoerências partidárias, o famoso fisiologismo político e todos os casos de corrupção na política não podem ser explicados com em análises individualizantes, moralistas e idealistas. As explicações para esses fenômenos estão assentadas nas bases do sistema político capitalista e na correlação de forças da luta de classe. 

Antônio Gramsci (1891-1937) foi um grande teórico e dirigente comunista, criador das categorias “pequena política” e “alta política”. Gramsci, seguindo o método do materialismo histórico, considera que as estruturas políticas da democracia burguesa não são naturais, eternas e imutáveis. Ao contrário, são produtos das relações de produção vigentes, superestruturas que podem ser mudadas ou mantidas a depender da correlação de forças entre as classes em luta. Sendo mais claro: existe um antagonismo irreconciliável entre Capital e Trabalho, entre “ricos” e “pobres”, e o atual Estado é um Estado de classe, dominado pela burguesia, que visa – em última instância – a manutenção das relações de produção vigentes (ou seja, manutenção da propriedade privada dos meios de produção), mantendo a dominação sobre os trabalhadores, camponeses e camadas médias proletarizadas. Isso acontece na monarquia ou na democracia republicana. Embora a forma política do Estado seja fundamental na escolha da estratégia e tática de ação dos trabalhadores, não podemos nunca esquecer que: 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O povo, As artes e o Partido Comunista

Foi aproximadamente nos anos 30, que o Partido Comunista iniciou sua aproximação com o campo das artes plásticas. Com isso, vários intelectuais vem compor, de maneira significativa, as fileiras do Partidão. Neste momento, o Brasil vem passando por mudanças importantes nas artes plásticas, o movimento volta-se para uma temática social, rompendo com os valores academicistas da época. 


Morro da Favela - Tarsila do Amaral
Esse movimento artístico e com forte temática social é determinado não só pela conjuntura nacional, mas também com uma forte influência externa. Isso ficará evidente no trabalho de Tarsila do Amaral, ao retornar de uma exposição na URSS em 1931. Ela vai expor no Rio de Janeiro, trabalhos como "Operário" e "Segunda classe". Neste mesmo ano é criado o Clube dos Artistas Modernos (CAM), tendo à frente Flávio de Carvalho. 

É neste período que é criada a obra de Portinari, Retirantes. Foi seu primeiro trabalho seguindo este contexto social. Já no ano de 1933, teremos a filiação de Di Cavalcanti ao Partido Comunista, outro grande nome das artes plásticas brasileira e importante artista do realismo social brasileiro.

sábado, 10 de agosto de 2013

O Canto da Sereia

Por  Antônio Henrique*

Estamos acompanhando pela televisão uma série de propagandas faraônicas das ações do governador Eduardo Campos, para o campo da educação. Chega até lembrar filmes de ficção científica, tamanho seus efeitos visuais. Depois do que eu vi na TV, ficou muito claro para onde estão indo os investimentos que deveriam ser destinados à educação. Em Pernambuco, o Gov. Eduardo Campos nega-se a pagar o valor irrisório que é o piso da categoria. Vem levando em banho-maria a comissão de negociação (composta pelo sindicato que na sua grande maioria é governista), quando na verdade deveria respeitar a lei e reajustar os salários desde janeiro de 2013. Porém, o governador Eduardo Campos, retirou a gratificação do Magistério, o quinquênio, destruiu o Plano de cargos e carreiras o PCC da categoria e ainda deve os dias parados da greve de 2009. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Favela...

Favela, nome usado popularmente para denominar uma planta natural do nordeste, que nasce nos pés dos morros, e que após o episódio histórico da Guerra de Canudos foi utilizada para “apelidar” o conjunto de moradias prometidas pelo governo aos Soldados enviados para combater os rebeldes baianos, liderados por Antonio Conselheiro em 1896/97- e que nunca foi entregue, fato que motivou a ocupação do espaço pelas famílias dos soldados; surgia ai um dos primeiros morros do 25 de Janeiro, o Morro da Providência.

Como podemos ver o termo está ligado, historicamente, ao processo de luta e de resistência presente na história da maioria das favelas do nosso país e marca registrada de seu povo.

Não demorou muito para que esse tipo de ocupação se espalhasse para o resto do Brasil, visto que o problema de moradia não era um problema particular daquela região. Hoje as favelas se multiplicaram de forma desordenada, fruto da ausência do estado, que ao negar moradia digna às populações mais pobres, não se responsabilizou pelas ocupações que surgiram ao longo dos anos, nomeando-as de: “áreas socialmente degradadas”; formadas por moradias precárias, sem infra-estrutura e saneamento básico; caracterizadas como “invasão” construindo uma imagem marginalizada dessas ocupações, ou seja, das favelas.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

VOCÊ PRECISA ESCUTAR A REBELDIA!

Por Alcides Campelo

Falam em defesa da “ordem”, mas nenhuma “ordem” pode ser imposta quando um povo não quer mais essa “ordem”. A luta é sempre justa e necessária quando tudo tá errado para a maioria e "certo" para os interesses de uma minoria.

Palácio do Planalto tomado pelo povo. Dia 17.06.13 Crédito: BOL


Escrevo esse texto na noite do dia 17 de junho de 2013, após chegar a minha casa num dia extenuante de trabalho e ver o que aconteceu em Brasília (inúmeros manifestantes ocuparam o Congresso), o movimento em São Paulo só faz crescer, mais de 100 mil no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, dentre tantas outras cidades que se manifestaram hoje. Após coletar inúmeras reportagens e esperar o momento oportuno para escrever esse texto, a bela cena histórica de hoje em Brasília me jogou a escrever essa humilde contribuição para com os fatos.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

De Camaradas para Camaradas: sobre o 2º Acampamento Nacional de Formação da UJC

Por Kim Taiuara*


Há mais ou menos uma semana estive entre os ditos “comedores/as de criancinhas”, ateus e ateias, subversivos/as... Enfim, estive entre comunistas. Foi estranho, pois ao invés de comerem as crianças, os/as comunistas brincavam com elas, ao invés de banir os religiosos, eles e elas se confraternizavam e ao contrário da “zona” que possa parecer estar entre subversivos/as, digo que poucas vezes estive em ambientes tão organizados e em que tudo fluía perfeitamente bem quase que por natureza.

Era possível sentir a vontade sincera, por parte de todos/as, de que tudo corresse bem, como se daquilo dependesse a revolução, e talvez haja algo de verídico nessa suposição romântica, afinal de contas, a organização não foi o único ponto positivo. Posso dizer também que me surpreendi ao descobrir que esses “monstros” dançam... é isso mesmo, eles dançam! E se fosse só isso, tudo bem. Mas não, para meu espanto, descobri que além de dançar, eles cantavam e davam altas gargalhadas. Pensava eu que comunistas não dançavam, que comunistas eram seres duros e quadrados, pessoas sérias não muito dadas à diversão. Mudei de ideia!!! Posso afirmar que são pessoas alegres e até comuns, nada de medonho como nos descrevem. Mas também são diferentes, eles desejam e lutam para que todas as pessoas possam ser felizes, para que todas elas possam cantar, dançar e dar boas risadas sem ter que se preocupar com a próxima refeição do dia, com as demissões que ainda não lhe atingiram, mas parecem estar próximas; se terão lugar pra dormir e boas escolas pra seus filhos. Esses “monstros”, que lutam pela verdadeira igualdade e contra toda injustiça social, descobri que são os e as comunistas!

segunda-feira, 25 de março de 2013

O esquema privatista do PT e a EBSERH


      O esquema privatista do PT com o intuito de desenvolvimento do capitalismo brasileiro é bastante claro, e seu sucesso (que tem benefícios privados, óbvio) garante a continuidade do partido no poder. Aliás, há tempos que a continuidade do PT no governo deixou de ser uma tática política para o partido e virou a finalidade, em que todas as ações visam esse objetivo. Em certa medida tal modelo é ainda mais benéfico aos interesses privados do que a prática neoliberal do seu rival, PSDB, porque se este almeja transferir totalmente o patrimônio público para mãos particulares, o PT permite que empresas privadas utilizem recursos humanos e materiais sustentados com dinheiro público, e garante de antemão os lucros para tais empresas: é um capitalismo sem risco e altamente lucrativo. Podemos encontrar esse modelo nos aeroportos, estradas, ferrovias, portos, construção civil e também na Universidade.
      Neste último caso, vemos uma série de medidas que, observadas em conjunto, revelam a lógica do modelo petista. Indo além da transferência direta de recursos para entidades privadas, como é o caso do PROUNI e do FIES, pode-se observar várias medidas que apontam na direção do controle privado de recursos humanos e utilização de infraestrutura pública. De modo geral, observa-se que o governo reduz os gastos públicos na área de educação (http://www.andes.org.br:8080/andes/print-ultimas-noticias.andes?id=5166) e permite que a Universidade vá buscar fundos no meio privado. Obviamente esses fundos exigem algum retorno, que na maioria das vezes se dá através de realização de pesquisa de ponta para as empresas investidoras, ou da transferência de mão de obra qualificada para essas entidades. Para dar um exemplo prático de como isso funciona, basta analisar o que a Lei de Inovação Tecnológica permite na relação dos cursos de informática das IFES com empresas privadas (note o caso do Centro de Informática da UFPE: http://www2.cin.ufpe.br/site/secao.php?s=5&c=58).

terça-feira, 20 de novembro de 2012

SOBRE MOBILIZAÇÃO





Há um problema comum que toca as organizações comunistas: o grande desinteresse e falta de participação popular em seus espaços, sejam eles cotidianos como reuniões ou em algum evento específico extraordinário. Em algumas situações, nesse último caso até consegue-se alguma quantidade razoável de pessoas se comparado ao primeiro, porém tal número ainda é inexpressivo e fugaz para alguém que almeja uma transformação social em que a massa é a força do processo; e mesmo assim isso só é conseguido na condição de certa capacidade organizativa e de propaganda da tal instituição política. Como não podia ser diferente, essa situação se vê também no movimento estudantil. No dia a dia dos diretórios acadêmicos, DCE's, juventudes de partidos, está a difícil e desgastante batalha de promover espaços os quais sejam presenciados pela base estudantil; e quando algum grupo de estudantes ocupa algum ambiente repetidas vezes, vêm à tona todos os malabarismos para mantê-lo coeso e sem evasão. Além dessa unidade pretendida ser importante para se manter um núcleo de estudantes que pensem política dentro da universidade, a solidez (ou falta dela) desse grupo é o que pode determinar a qualidade de ação dentro do movimento. Sem isso, fica difícil por exemplo se falar em organização ou plano de lutas.

Esse quadro se dá porque a militância é, de fato, difícil. Todos(as) os(as) estudantes têm obrigações específicas de sua atividade que já ocupam demasiadamente seu tempo. A pessoa que queira estudar de forma séria e se desenvolver intelectual ou profissionalmente já vê as vinte e quatro horas diárias como insuficientes. Uma das dificuldades de mobilização está no fato que uma pessoa sem profundas convicções na atuação política dificilmente vai dedicar a preciosa parte do seu dia, o que sobrou das atividades estudantis, em alguma reunião que de forma imediata não vai lhe trazer benefício algum. As organizações políticas cometem um grande erro tático ao pretender que grande número de estudantes despertem em si, de forma despretensiosa, o espírito militante. Uma vez que a pessoa ingressa na universidade, a menos que tenha a convicção política dita acima1, o seu grande e possivelmente único objetivo passa a ser se formar e conseguir um emprego; qualquer coisa além disso e que, ainda mais, não ofereça nenhum benefício a curto prazo, dificilmente vai chamar sua atenção. E esse é o caso da militância política.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Somos tão iguais assim?

Essa semana se vivenciou duas situações distintas e cruéis na mídia brasileira, a primeira como tragédia e a segunda como farsa, como diria o velho filósofo da Práxis – Karl Marx.

sábado, 10 de dezembro de 2011

LUGAR DE MULHER É NA REVOLUÇÃO: CONFISSÕES DE UMA CLANDESTINA

Crédito: http://memoriasclandestinas.blogspot.com/p/sinopse.html

LUGAR DE MULHER É NA REVOLUÇÃO: CONFISSÕES DE UMA CLANDESTINA

Artigo científico do camarada Antônio Henrique Araújo, militante da União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Pernambuco. Em parceria com professores do Deptº de história da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP): Prof. Dr. Flávio José Gomes Cabral e Profª MS. Maria da Glória Dias Medeiros (mais informações sobre os autores no texto).

[Esse é um texto para a seção Crônicas Vermelhas, onde os militantes da UJC/PE opinam, comentam, debatem sobre diversos temas. Para acessar o conteúdo Crônicas Vermelhas basta acessar no "arquivo do blog por temática" a temática Crônicas Vermelhas, ir na página formação ou destaques, ou clicando no marcador dessa postagem.]

O CRISTIANISMO EM PERNAMBUCO NOS ANOS 30: CRISTIANO CORDEIRO, O APOSTOLO DOS TRABALHADORES.

O CRISTIANISMO EM PERNAMBUCO NOS ANOS 30: CRISTIANO CORDEIRO, O APOSTOLO DOS TRABALHADORES.

Artigo científico do camarada Antônio Henrique Araújo, militante da União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Pernambuco.


[Esse é um texto para a seção Crônicas Vermelhas, onde os militantes da UJC/PE opinam, comentam, debatem sobre diversos temas. Para acessar o conteúdo Crônicas Vermelhas basta acessar no "arquivo do blog por temática" a temática Crônicas Vermelhas, ir na página formação ou destaques, ou clicando no marcador dessa postagem.]

quinta-feira, 24 de março de 2011

DIVAGAÇÕES SEM DEVANEIOS: REFLEXÕES SOBRE A REALIDADE

(24/03/2011)

* Alcides Campelo A. Junior

Nessa crônica irei discorrer entre diversos temas buscando manter certa relação entre os mesmos, apesar de alguns não terem nenhuma correlação direta. Serão divagações, mas sem devaneios. Na verdade, muitos questionamentos, críticas e conjecturas. Vamos aos fatos.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Venezuela Livre!!!

*Antônio Henrique

Isso mesmo, Venezuela Livre! “A Venezuela, se continuar assim, vai poder anunciar ao mundo, no ano de 2015, que superou amplamente um dos Objetivos do Milênio estabelecidos pela ONU”, considerou, no jornal Avante, Alfredo Roberto Missair, delegado da FAO (Organização para a Alimentação e Agricultura) naquele país. O trabalho de organização dá-se por meio de empresas estatais que são responsáveis pela distribuição de alimentos para mais de cinco milhões de pessoas que comem gratuitamente, o que levou a uma redução drástica da pobreza de 17,1% para 7,9%, e um déficit nutricional abaixo dos 4%. São números significantes para um país que só agora se liberta das garras das condições impostas por empresas multinacionais que antes dominavam o mercado alimentício e exercia um poder sobre a produção alimentícia da Venezuela, manipulando o mercado de acordo com seus interesses. Essas pesquisas e dados são da própria FAO e mostram que, se continuar assim, em 2015 não existirá fome na Venezuela. As políticas implementadas pela revolução bolivariana são exemplares, diz ainda a agência das Nações Unidas.
Dos avanços sociais que este país do continente Sul Americano vem alcançando, esse em especial merecer uma atenção maior por nossa parte. É comum, grande parte de nossa mídia, colocar este país e seu presidente, Hugo Chaves Frias, como um ditador sanguinário e inimigo da democracia e da liberdade de impressa, e que o Brasil dever ficar de olho em suas ações e seus planos. Pois bem, apesar da campanha midiática contra Chaves, em outubro a FAO veio há público parabenizar as ações desenvolvida para a erradicação da fome na Venezuela. Mais uma vitória da Revolução Bolivariana!

*Antônio Henrique é militante do PCB e direção estadual da UJC em Pernambuco
 
[Esse é um texto para a seção Crônicas Vermelhas, onde os militantes da UJC/PE opinam, comentam, debatem sobre diversos temas. Para acessar o conteúdo Crônicas Vermelhas basta acessar no "arquivo do blog por temática" a temática Crônicas Vermelhas, ir na página formação ou destaques, ou clicando no marcador dessa postagem.]