"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Novo mandato, velho neoliberalismo: Dilma e o ataque ao seguro-desemprego.

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Dilma afirmou que não mexeria em direitos trabalhistas “nem que a vaca tussa”. Sua afirmação era uma propaganda contra Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), que segundo os petistas, caso eleitos, tirariam direitos dos trabalhadores. O presidente do PT, Rui Falcão, tomou a frase como slogan de campanha para a militância petista ir às portas de fábricas dizendo: “não vão mexer nos nossos direitos nem que a vaca tussa”. A vaca já tossiu. Dilma usou uma medida provisória (de responsabilidade apenas do Executivo) para mexer nas regras da pensão por morte, auxílio-doença, seguro defeso para pescadores no período onde a pesca é proibida e no seguro-desemprego. 

Reprodução

Muito já foi escrito sobre essa retirada de direitos e mudanças administrativas no recebimento dos benefícios. Vamos focar em outra questão: o efeito para a luta dos trabalhadores que causa a mudança do seguro-desemprego. Temos percepção clara que a mudança dificulta o recebimento do benefício, sendo o tempo de trabalho obrigatório para receber o direito passando de 6 meses para 18 meses (o triplo do tempo), causando forte impacto negativo nas lutas por melhores condições de trabalho, salário e direitos. 

A maioria dos empregos criados durantes os Governos do PT foram no setor de serviços. Empregos de baixa qualificação, baixos salários, alta rotatividade (o trabalhador não passa muito tempo no emprego) e marcados por várias denúncias de assédio moral, adoecimento, não cumprimento das leis trabalhistas, etc. A maioria das pessoas empregadas são jovens, muitos usam o trabalho como forma de financiar sua faculdade, carro ou casa; e, cumprem uma jornada dupla ou até tripla (no caso das mulheres). 

O setor de telemarketing que emprega mais de um milhão de pessoas no Brasil é o caso clássico dessa situação. Uma rotatividade média de 7% ao mês, denúncias de violações e abusos por parte dos patrões, salários baixos e sem qualquer perspectiva de crescimento profissional. A mudança no seguro-desemprego pega em cheio esses jovens que trabalham no setor de serviços. Mais de 80% dos jovens no mercado de trabalho não vão receber o direito. É notório que nesses ramos da economia a atividade sindical é mais difícil e a luta por direitos é mais fraca. Justamente pela alta rotatividade e a baixa qualificação do trabalho, o que faz com que a ameaça de demissão seja muito forte. 

terça-feira, 29 de abril de 2014

A UNIVER$O SÓ PENSA EM LUCRO, TRATA EDUCAÇÃO COMO MERCADORIA E VIVE DESRESPEITANDO OS SEUS TRABALHADORES.

Foto: Aquivo UJC-PE
NÃO AGUENTAMOS MAIS!

Essas são as palavras dos funcionários da Universidade Salgado de Oliveira- UNIVER$O. Os trabalhadores vem a público denunciar as ações arbitraria deste estabelecimento de ensino. Como se não bastasse os baixos salários e a sobrecarga de serviços, agora a direção da Univer$o corta as refeições, atrasa salários e o vale transporte. Existem trabalhadores com dez anos na instituição que contam com apenas um pouco mais de R$ 1.000,00 de saldo no FGTS, isso pode? Eles não recolheram corretamente o FGTS. 

A política perversa que a direção da Univer$o vem adotando é de muito arrocho salarial, desvalorização do seu corpo técnico e administrativo, assédio moral e condições de trabalho precárias. O salário é "de fome" e mesmo assim ainda atrasam, gerando inúmeros prejuízos financeiros para os seus trabalhadores. 

"Exigimos respeito da direção dessa instituição dessa instituição, queremos discutir melhores condições de trabalho e de salário, consequentemente melhor qualidade no serviço e no ensino prestado. Não aceitamos e não nos baseamos numa visão mercenária, clientelista de tratamento com os alunos, para nós, os alunos na sua maioria são trabalhadores e companheiros de classe". Essas são as palavras e as reivindicações dos trabalhadores da Universo.

por Antônio Henrique, militante da União da Juventude Comunista (UJC) e do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Pernambuco.

[Esse é um texto para a seção Crônicas Vermelhas, onde os militantes da UJC/PE opinam, comentam, debatem sobre diversos temas. Para acessar o conteúdo Crônicas Vermelhas basta acessar no "arquivo do blog por temática" a temática Crônicas Vermelhas, ir na página formação ou destaques, ou clicando no marcador dessa postagem.]

terça-feira, 11 de março de 2014

Viva a vitória dos garis!!


No dia internacional de luta das mulheres trabalhadoras, os “esquecidos” limpadores de ruas e avenidas ganharam um imenso protagonismo, se tornaram exemplos para tod@s que vivem de sua força de trabalho, superaram as dificuldades das ameaças, criminalização e cooptação que levam ao dito apassivamento dos trabalhadores.Mais do que isso, os garis cariocas deram uma aula daquelas que somente a lutas de classes pode nos ensinar.

Estes trabalhadores em sua maioria negros, pouca escolaridade, classificados como inexperientes e despolitizados passaram por cima de um sindicato dominado por uma verdadeira máfia e orientado politicamente pelo patronato, conquistaram suas reivindicações em meio a um verdadeiro bombardeio contra a greve por parte da grande mídia, venceram a criminalização da prefeitura comandada por um playboy capacho do empresariado.

Fizeram o até então impossível ser possível aos olhos de toda classe.Conseguiram esta proeza de defender o óbvio no nosso tempo pela simples razão: este mundo não se sustenta, mantém e é construído sem o trabalho humano. Mesmo em uma sociedade doente, onde as coisas parecem ter vida própria, e que tudo é descartável, consumido sem fins, onde o lixo se acumula cada vez mais e passa a ser um dos grandes problemas sociais e de saúde do nosso tempo.

Sim! Foram os garis que conseguiram por 8 “longos” dias de carnaval trazerem a tona estas questões esquecidas pela sociedade.Nos ensinaram um pouco como é possível lutar contra perversidade da ofensiva capitalista: precarização, mal remuneração e aumento da intensidade e jornada de trabalho.Por isso, meus companheiros, todo louvor e gratidão ao exemplo da luta unitária dos garis. Obrigado por reaprendermos na prática que, de fato, só a luta é capaz de mudar a vida!


Fonte: UJC Brasil

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Pão de Açúcar e a exploração do trabalho adolescente

Por Igor Ojeda
Da Repórter Brasil

O supermercado Pão de Açúcar é “lugar de gente feliz”, diz o comercial na TV. Clientes felizes e ecologicamente sustentáveis encontram, em qualquer loja da rede, funcionários igualmente felizes e ecologicamente sustentáveis sempre dispostos a atendê-los.

De acordo com a juíza Francieli Pissoli, da 5ª Vara do Trabalho de Ribeirão Preto (SP), no entanto, a realidade é um pouco diferente. Em decisão de novembro deste ano, ela concedeu liminar favorável ao Ministério Público do Trabalho (MPT) determinando ao Grupo Pão de Açúcar (GPA) que deixe de praticar uma série de irregularidades trabalhistas, entre estas, a submissão de jovens aprendizes a desvios de função e de seus funcionários em geral a jornadas excessivas. As violações foram flagradas por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na loja do grupo localizada na avenida João Fiúsa, na Zona Sul de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

Justiça determina que unidade da rede de supermercados em Ribeirão Preto (SP) deixe de praticar irregularidades trabalhistas

Segundo a fiscalização, a gerência da unidade obrigava os adolescentes contratados pelo programa de aprendizagem a trabalhar como caixas e empacotadores, em períodos noturnos e em regime de compensação de jornada, condições não permitidas pela legislação brasileira. Além disso, a empresa não cumpria o número mínimo de 5% de aprendizes em relação ao total do quadro de empregados.

De acordo com a fiscalização do MTE, além de desrespeitar as violações dos direitos dos adolescentes aprendizes, o Pão de Açúcar Fiúsa, como a unidade era conhecida, não cumpria com algumas obrigações trabalhistas dos funcionários adultos. Extensão de jornadas acima do permitido, ausência de intervalos regulares e descanso semanal, e falta de registro de horário de entrada e saída dos empregados foram algumas das práticas flagradas.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Recordista em libertações, empresa é reformulada e muda de nome

Grupo EQM substitui a Destilaria Gameleira pela Destilaria Araguaia. Modernização tecnológica e trabalhista justificam decisão da empresa. Em junho de 2005, operação do grupo móvel libertou 1003 pessoas escravizadas na fazenda

Reprodução


Palco da maior libertação de escravos da história recente do país, com 1003 pessoas de acordo com o governo federal, a Destilaria Gameleira fará parte da recém-criada Destilaria Araguaia a partir deste sábado (27). Localizada no município de Confresa, nordeste do Mato Grosso, a Gameleira se tornou conhecida nacionalmente após quatro operações de fiscalização encontrarem condições degradantes de trabalho em sua fazenda de cana-de-açúcar. As reincidentes fiscalizações levaram a destilaria a ser inserida na “lista suja” do trabalho escravo, organizada e mantida pelo governo federal – posteriormente, o nome foi suspenso por decisão judicial. A empresa discorda da versão governamental e nega que tenha utilizado mão-de-obra escrava.

A Destilaria Araguaia continuará sendo uma das usinas de açúcar e álcool sob a direção do grupo EQM. Incorporará as atividades da Gameleira – que ficará responsável pela moagem da cana. Para reverter a imagem negativa que se associou ao nome “Gameleira” depois dos escândalos, o empresário Eduardo de Queiroz Monteiro comprou a parte da fazenda que pertencia à sua família, adquiriu mais terras, ampliou as instalações e trocou o nome da propriedade. Eduardo é irmão de Armando de Queiroz Monteiro Neto (PTB-PE), presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A nova fazenda terá 22 mil hectares, dos quais seis mil serão cultivados, alcançando a produção de 35 milhões de litros de álcool por ano.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Um retrato do trabalho precário no Brasil

Por Antônio David,

O sociólogo Ruy Braga fala das condições de trabalho no setor de telemarketing, área que ele vem pesquisando em detalhes. Segundo ele, se somarmos os call centers terceirizados e próprios, o Brasil deve fechar o ano com quase 1 milhão e 700 mil trabalhadores nesse setor

Reprodução

“O precariado é composto por aquele setor da classe trabalhadora permanentemente pressionado pela intensificação da exploração econômica e pela ameaça da exclusão social”. Essa caracterização é do sociólogo Ruy Braga, especialista em sociologia do trabalho e autor do livro A política do precariado. Do populismo à hegemonia lulista (Boitempo, 2012).Professor da USP, com pós-doutorado pela Universidade da Califórnia, Ruy Braga concedeu entrevista exclusiva ao Brasil de Fato.

Nela, o sociólogo fala das condições de trabalho do precariado brasileiro no setor de telemarketing, área que ele vem pesquisando em detalhes. Face às estratégias de recrutamento das empresas, que procuram subordinar os trabalhadores ao despotismo das gerências, Braga alerta: “o feitiço está virando contra o feiticeiro e uma experiência coletivamente compartilhada de discriminação racial ou por orientação sexual, além das lições retiradas da relação com o despotismo gerencial, empurram os teleoperadores na direção da auto-organização nos locais de trabalho e dos sindicatos que atuam no setor”.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Trabalhadores de Fast-Food protestam nos Estados Unidos

Brasil - WSW - [Marcus Day, Tradução de Diário Liberdade] Trabalhadores de redes de Fast Food dos Estados Unidos da América protagonizam protestos pelo país.


Trabalhadores da indústria de fast food participaram de protestos, incluindo breves períodos de greve, em mais ou menos 60 cidades estadunidenses, dentre elas Los Angeles, New York, Boston, Detroit, Atlanta e Memphis. Grandes redes como McDonald's, Burger King, Wendy's, Taco Bell e KFC foram afetadas. Os trabalhadores, muitos deles à beira de um abismo econômico, exigem o aumento de seus salários para US$ 15,00 a hora.

Trabalhadores de fast food e trabalhadores da indústria alimentícia em geral, estão entre os mais explorados do país, recebendo salários baixíssimos e poucos, ou nenhum, benefícios. Ainda que em âmbito relativamente limitado, essa foi declaradamente a maior greve dos trabalhadores de fast food desde Novembro de 2012, momento que teve inicio a campanha por melhores salários na categoria.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SÓ UMA FRENTE CLASSISTA UNITÁRIA SERÁ CAPAZ DE BARRAR A NOVA OFENSIVA CONTRA OS DIREITOS TRABALHISTAS


(Nota Política do PCB)
“O princípio básico para a modernização das relações trabalhistas está na livre convergência de interesses, como forma de resolver os conflitos, ao invés de submetê-los à tutela do estado”. (Fernando Henrique Cardoso)
“Os novos líderes metalúrgicos do ABC substituíram o confrontacionismo por atitudes cooperativas e relações de parceria”. (editorial de O Estado de São Paulo)
“A lei tolhe a autonomia de trabalhadores e empresários, impondo uma tutela do estado, um barreira para um equilíbrio mais consistente; onde há controle excessivo e regras engessadas, a liberdade morre”. (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC)
“A legislação impede os empresários de resolver problemas que a competitividade moderna impõe”. (Sérgio Nobre, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC)
Anuncia-se para logo após as eleições municipais deste ano a apresentação ao Congresso Nacional de mais um projeto de “flexibilização” dos direitos trabalhistas, o que significa flexibilizar para baixo, pois para cima não há necessidade de alterar qualquer lei; as leis trabalhistas no Brasil estabelecem patamares mínimos de direitos. Se um acordo coletivo prevê adicional de horas extras superior ao patamar mínimo de 50%, ele é legal; caso o percentual seja abaixo deste patamar, ele é nulo de pleno direito. Da mesma forma, as férias remuneradas não podem ser inferiores a trinta dias e assim em diante.