"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Roberto Numeriano: Verde que te quero verde

Roberto Numeriano
A bandeira ambientalista é uma das grifes mais atraentes para aquela parcela do eleitorado que pensa ser possível definir o seu voto num espaço acima de condicionantes político-ideológicas. Trata-se, esta idéia, de uma mistificação em si mesma ideológica, e com implicações políticas perigosas, na medida em que a retórica ambientalista tende a ler o universo dos problemas ambientais como fenômenos redutíveis a uma causa explicativa única. Esta causa seria o ser humano ou a humanidade, situados aqui como irracionais e predadores. Um ser interpretado “fora da história”, naturalizado ele próprio como um “espírito” que destroi a si e ao ambiente.
O efeito dessa mistificação é considerável como potencial desmobilizador e / ou bloqueador de uma crítica política aos graves problemas que afetam a natureza e o homem. Não é por acaso que, salvo raras exceções, os partidos “ecologistas” formulam seus programas sem uma central e fundamental crítica / denúncia ao modelo de produção capitalista, este sim degradante do ser do homem (dado que aliena-o de sua condição humana), e dos elementos da natureza (dado que tudo deve ser transformado em mercadoria).
Transformada, sob a percepção politicamente alienada, numa marca para consumo de gente bem intencionada, cheia de amor pra dar pelo bem da mãe-terra e de seus pobres habitantes irracionais, a causa ambientalista ganha então a simpatia geral dos que, aparentemente acima de quaisquer ideologias, seja o político ou o eleitor, estão prontos a apoiar iniciativas e planos com selos verdes, sustentáveis etc. E então, afinados num coro quase religioso, imbuídos de uma fé deslumbrada na ilusão de salvar a terra sem combater o modo de produção capitalista, parecem todos querer a mesma coisa – do empresário e sua cantilena da sustentabilidade ambiental (em geral, hipócrita) ao político verde e seu discurso cheio de soluções para os efeitos, mas nunca atacando as causas.
Esta atitude angaria simpatias, mas é inócua do ponto de vista prático. As justas e legítimas bandeiras do ambientalismo merecem o apoio de todos, mas e daí? Na prática, alguma vitória pontual pela preservação dos ecossistemas, se não articulada com o desmonte do modelo econômico cuja filosofia é a do lucro a qualquer custo (predando a natureza e o homem), significará nada, pois a cada “selo verde” correspondem dezenas de empresas com seus selos podres. Ou seja, o modo de produção vigente degrada a vida natural e o ser do homem numa progressão geométrica que os verbos e gestos do ambientalismo alienado jamais conseguirão bloquear.
Uma outra dimensão do ambientalismo como grife de consumo é operar simbolicamente a ideologia da participação: plantam-se árvores; o Greenpeace finca sua logomarca nos quatro cantos do mundo; parlamentares “verdes” são eleitos; salvam-se as ararinhas azuis e os micos-leões-dourados etc. Mas e daí? Se tudo se esgota no e pelo ambiente, do que participamos e o que pretendemos, objetivamente?
O curioso é que a própria dimensão política da ação dos ambientalistas é em si mesma uma camisa de força que estes, talvez sem perceberem, alimentam na medida em que a mídia repercute tais ações reativas. E assim o ambientalismo, cada vez mais, torna-se auto-referente, amestrando suas agendas segundo a boa recepção dos formadores de opinião das mídias. O círculo se fecha na forma de um discurso repetitivo e restrito, em cuja essência vê-se operando uma fraude ideológica. Esta fraude provoca graves efeitos: bloqueia a formação de uma consciência crítica que transcenda a retórica reducionista e ao mesmo tempo torna absoluta uma visão instrumental desse homem que, desnaturalizado, precisa de ecossistemas salvos e equilibrados, mas não precisa ser salvo para esses mesmos ecossistemas. O ser do homem do ambientalismo alienado é um ser também natural, quase um espírito hegeliano que sobrepaira a terra, alheio à história, imune às contradições e conflitos da ordem econômica capitalista.
Não admira que os partidos verdes, em quase todos os países onde estão organizados, cada vez mais perfilam com agrupamentos e partidos cujas agendas políticas são ideologicamente conservadoras, embora com discursos modernosos, fazendo juras de amor à mãe-terra. Por oportunismo político, derivada da degeneração ideológica, buscam o voto a qualquer custo, mesmo com grupos que simbolizam a defesa de um sistema econômico predador da vida humana e da natureza. O verde dos verdes é cada vez mais cinza...
Roberto Numeriano é cientista político (UFPE), jornalista, membro do Comitê Central do PCB e da direção estadual do PCB-PE.

www.robertonumeriano.com
twitter.com/rnumeriano

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Exército de Israel atacou embarcação de ajuda humanitária que buscava chegar à Gaza

TeleSUR

Israel atacou nesta segunda-feira um navio da Frota Gaza Livre, que tentava transportar cerca de 10 toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. O ataque matou 19 pessoas e feriu outras 30.
O correspondente da TeleSUR no Oriente Médio, Hisham Wannous, informou que o ataque foi efetuado por marinheiros de Israel e que no processo empregou-se o uso de um helicóptero.

Wannous observou que logo depois de saber da notícia houve manifestações em Gaza e na Turquia em repúdio ao ataque, enquanto o governo israelense mantém silêncio sobre o assunto.

O correspondente indicou que os navios de guerra israelenses que participaram no ataque saíram do porto de Haifa, no norte de Israel, transportando mísseis e todos os tipos de armas.

O jornalista também explicou que o que restou da Frota Gaza Livre será levado para Haifa, onde se prevê que sejam detidas as pessoas que viajam na Gaza Livre. Segundo Wannous, a maioria dos mortos são europeus e turcos.

Gaza Livre escreveu em seu site na Internet que o navio atacado foi o HHI, de bandeira da Turquia, assegurou a organização humanitária, foi abordado por membros da Marinha de Israel.Entre os passageiros da embarcação de Gaza Livre se encontram parlamentares europeus e ganhadores do Prêmio Nobel da Paz.

A imprensa turca mostrou imagens tiradas no interior do barco turco Mavi Marmara, nas quais se viam soldados israelenses abrindo fogo.

Desta forma, Israel cumpriu as advertências realizadas no último sábado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, que disse que seu país estava preparado para bloquear a passagem das embarcações, incluindo o uso da força.

"Vamos tentar impedi-los de se aproximar da costa da Faixa de Gaza de forma pacífica, mas se eles insistem em passar, os impediremos", afirmou Palmor, no sábado passado.

Os barcos da Frota Gaza Livre, que busca ajudar o povo palestino que vive sob o férreo bloqueio israelense, com o envio de alimentos, móveis, assistência médica e materiais de construção, estruturas como hospitais e escolas foram destruídos ou deixadas em muito mau estado pelos ataque realizado pelas forças israelenses.

Segundo a imprensa turca, o ataque israelense contra o barco da Frota Gaza Livre ocorreu em águas internacionais às 04:00 horas locais (01:00 GMT).

Logo que a informação do ataque israelense foi divulgada, centenas de pessoas se reuniram para protestar enfrente ao consulado israelense na cidade turca de Istambul.

A frota é composta por seis navios, três deles turcos, e transporta, entre outras coisas, materiais de construção, equipamentos médicos de necessidades básicas, com o fim de romper o bloqueio que sofre a Faixa de Gaza por parte de Israel.

Traduzido por Dario da Silva

Original encontra-se em: http://www.telesurtv.net/noticias/secciones/nota/72801-NN/ejercito-israeli-ataco-embarcacion-de-flotilla-humanitaria-que-busca-llegar-a-gaza

Fundo do Poço: Israel foi parceiro até do apartheid


Celso Lungaretti (*)


Em meio a temas palpitantes como o do acordo Brasil/Turquia/Irã que os EUA estimularam e agora torpedeiam, está passando quase despercebida a relevante informação de que Israel não só possui bombas atômicas aos montes, sem qualquer controle por parte de organismos internacionais, como andou tentando vender algumas ao regime segregacionista da África do Sul, em 1975.

E, no fundo, os dois assuntos se completam: que direito tem os EUA de exigirem que o Irã se submeta a uma daquelas revistas policiais em que até os orifícios do corpo são verificados, enquanto um país useiro e vezeiro em barbarizar vizinhos não só dispõe de armamentos que ameaçam a humanidade, como aceita negociá-los com qualquer um?

Ao contrário das novas gerações, que identificam os judeus com as características odiosas que seu estado incorporou, eu conheço bem os belos sonhos de outrora, dos kibutzim ao Bund.

O primeiro era uma experiência na linha do chamado socialismo utópico: o cultivo da terra em bases igualitárias, sem patrão, sem privilégios, sem desigualdade.

Tive jovens amigos de ascendência judaica que falavam maravilhas dos kibutzim, mas, pacifistas, relutavam em ir para um país onde poderiam ser convocados a qualquer instante para batalhas.

O socialismo revolucionário, por sua vez, era representado pelo Bund, a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, que estava entre as forças fundadoras do Partido Social-Democrata, tendo participado ativamente das revoluções russas de 1905 e 1917.

O MÉDICO SE TORNOU MONSTRO

Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram dezenas de condenações inócuas da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o melancólico papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.

Ter, ademais, oferecido-se para dotar o apartheid de artefatos atômicos supera a pior imagem que já tínhamos de Israel.

É a pá de cal, a comprovação gritante de que o humanismo não tem mais espaço nenhum no estado judeu. O povo que nos deu Marx, Freud e Einstein hoje produz mas é novos Átilas, Gengis Khans e Pinochets.

Quanto à notícia publicada há poucos dias pelo Guardian londrino e que tantos preferem ignorar, é a seguinte: documentos secretos da África do Sul obtidos pelo acadêmico estadunidense Sasha Palakow-Suransky, além de exporem essa parceria política nauseabunda, constituem prova documental insofismável do programa nuclear israelense, que se sabia existir mas o estado judeu insistia em negar.

O Guardian divulgou inclusive um memorando do então chefe das Forças Armadas da África do Sul, general R. Armstrong, escrito no dia de um encontro entre os respectivos ministros da Defesa, Shimon Peres e Pieter Botha. Nele, o militar diz, de forma cifrada mas nem tanto, que, “considerando os méritos do sistema de armas oferecido [por Israel], algumas interpretações podem ser feitas, como a de que os mísseis serão armados com ogivas nucleares produzidas na África do Sul [grifo meu] ou em outro lugar”.

O NOME DOS MÍSSEIS É "JERICÓ"

Em entrevista publicada nesta 6ª feira (28) pela Folha de São Paulo, o acadêmico Palakow-Suransky rebate a alegação de Shimon Peres, de que sua assinatura não consta das minutas das reuniões:
"...mas ela aparece no documento que garante sigilo para a negociação sobre a venda de mísseis Jericó. Os documentos mostram acima de qualquer dúvida que o tema foi discutido em uma série de encontros em 1975. As frases usadas para descrever as ogivas são vagas, o que é comum nesse tipo de negociação. A confirmação de que o governo sul-africano viu a discussão como uma oferta nuclear explícita está num memorando do chefe do Estado-Maior, R. F. Armstrong, que detalha as vantagens do sistema de mísseis Jericó para a África do Sul, mas só se os mísseis tivessem ogivas nucleares. É a primeira vez que aparece um documento com a discussão sobre mísseis nucleares em termos concretos. O acordo nunca foi fechado, mas a discussão ocorreu, e o alto escalão sul-africano entendeu a proposta israelense como oferta nuclear".

O schoolar acrescentou que há outras evidências de colaboração de Israel com o apartheid:
"As principais são a continuação do projeto dos mísseis Jericó na África do Sul nos anos 80, quando especialistas israelenses ajudaram a construir projéteis de segunda geração para carregar ogivas nucleares; e a venda de 'yellow cake' [concentrado de urânio] da África do Sul para Israel em 1961".

E avalia que suas revelações não são a principal evidência disponível de que Israel possui arsenal atômico:
"As fotos de Mordechai Vanunu [técnico nuclear israelense condenado por traição] em 1986 são muito mais definitivas. O significado dos documentos não é provar que Israel tem armas nucleares, o que o mundo todo sabe há décadas. A notícia aqui é que a possível transferência de tecnologia nuclear foi debatida no alto escalão".

E, acrescento eu, a notícia é que Israel se dispôs a transferir tecnologia nuclear para um dos regimes mais execráveis e execrado do planeta. Dize-me com quem andas...

Também me chocou constatar que a aprazível "cidade das palmeiras" do Velho Testamento, onde os judeus recompuseram suas forças depois da escravidão, agora serve para nomear as armas do Juízo Final.

É um simbolismo bem apropriado para sua travessia negativa, que parece não ter fim, no sentido da desumanidade.

*Jornalista e escritor, mantém os blogues

http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/

A mais heróica de todas as batalhas

Meus caros e queridas,

Neste mês de maio, comemora-se o 65º aniversário da derrota da Alemanha na 2ª GM. Esta derrota significou para a humanidade uma vitória sobre um dos mais bárbaros regimes que o mundo já viu, o regime nazista de Adolf Hitler.
Falar desta vitória magnífica sobre uma das mais poderosas máquinas de guerra jamais vistas na história é falar da heróica resistência do povo soviético em Stalingrado. Durante quase 7 meses o exército vermelho, sozinho, travou uma baltalha terrível contra nada menos que 2/3 de todo o exército nazista representado por mais de 3/4 das tropas mais bem treinadas, melhor equipadas e experientes das tropas alemães. Lembro que com menos de 1/3 de suas tropas, este mesmo exército alemão ocupava a França, o Norte da África, quase toda a Europa e, até 6 junho de 1944, a única força que os enfrentava numa luta desigual era a URSS. Depois de travar a mais feroz batalha da história, o exército vermelho derrotou as tropas do Marechal Von Paulus em fevereiro de 1943. Foi o começo do fim para o odioso regime nazista.
É importante lembrar que, ao contrário do que a história oficial nos diz, a libertação da Europa foi fundamentalmente obra do exército vermelho, pois já em finais de 1943 havia destruído o grosso das tropas alemães e estava às portas da Alemanha. A tão esperada 2ª frente só foi aberta em junho de 1944.
Para quem ainda duvida de que a fúria nazista era dirigida principalmente contra a União Soviética, basta lembrar que mais de 20 milhões de soviéticos pereceram na luta contra a Alemanha Nazista. Este foi o maior holocausto perpetrado pelos Nazistas na 2ª GM.
Ao final da batalha de Stalingrado mais de 2 milhões de pessoas haviam morrido. Na cidade , antes conhecida por ser próspera e moderna, já não havia mais nenhuma construção de pé. Mas de pé estavam os heróicos defensores de Stalingrado. Aliás, jamais se curvaram, jamais se renderam, jamais deixaram de encarar de frente o pior inimigo que se poderia ter e a pior das barbáries que pode se abater sobre um povo. Tinham por trás de si a maior obra que o proletariado consegui construir em toda a sua história de lutas até hoje: A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Nestes tempos obscuros, onde a derrota do proletariado parece um fato consumado, onde a realidade perversa da superexploração do trabalhador, do desespero, da insegurança, da falta de saúde, de educação, se impõe às massas trabalhadores como algo eterno e imutável, voltar algumas páginas na história e ver que diante da nuvem de escuridão nazista que cubriu a Europa com destruição, miséria e desesperança, o povo soviético, e em particular os seus heróis de Stalingrado, se levantou e mostrou que a vitória do proletariado sobre a barbárie é possível, nos ensina que uma nova história para a humanidade pode começar a ser escrita, basta que o protelariado se levante novamente, assim como se levantou em Stalingrado e escreveu uma das mais gloriosas páginas da história humana.
Viva a heróica resistência do povo soviético em Stalingrado!!
Viva o Socialismo!!
O capitalismo é a desgraça dos povos!!
Saudações comunistas,

André Lavinas
PS: Este poema abaixo é uma justa homenagem aos heróis de Stalingrado.
Carta a Stalingrado [*]
Carlos Drummond de Andrade
Stalingrado...Depois de Madri e de Londres, ainda há grandes cidades!O mundo não acabou, pois que entre as ruínas outros homens surgem, a face negra de pó e de pólvora, e o hálito selvagem da liberdade dilata os seus peitos, Stalingrado,seus peitos que estalam e caem, enquanto outros, vingadores, se elevam.
A poesia fugiu dos livros, agora está nos jornais.Os telegramas de Moscou repetem Homero.Mas Homero é velho. Os telegramas cantam um mundo novoque nós, na escuridão, ignorávamos.Fomos encontrá-lo em ti, cidade destruída, na paz de tuas ruas mortas mas não conformadas,no teu arquejo de vida mais forte que o estouro das bombas, na tua fria vontade de resistir.
Saber que resistes.Que enquanto dormimos, comemos e trabalhamos, resistes.Que quando abrimos o jornal pela manhã teu nome (em ouro oculto) estará firme no alto da página.Terá custado milhares de homens, tanques e aviões, mas valeu a pena.Saber que vigias, Stalingrado,sobre nossas cabeças, nossas prevenções e nossos confusos pensamentos distantesdá um enorme alento à alma desesperadae ao coração que duvida.
Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!As belas cidades do mundo contemplam-te em pasmo e silêncio.Débeis em face do teu pavoroso poder, mesquinhas no seu esplendor de mármores salvos e rios não profanados,as pobres e prudentes cidades, outrora gloriosas, entregues sem luta, aprendem contigo o gesto de fogo.Também elas podem esperar.
Stalingrado, quantas esperanças!Que flores, que cristais e músicas o teu nome nos derrama!Que felicidade brota de tuas casas!De umas apenas resta a escada cheia de corpos; de outras o cano de gás, a torneira, uma bacia de criança.Não há mais livros para ler nem teatros funcionando nem trabalho nas fábricas, todos morreram, estropiaram-se, os últimos defendem pedaços negros de parede,mas a vida em ti é prodigiosa e pulula como insetos ao sol,ó minha louca Stalingrado!
A tamanha distância procuro, indago, cheiro destroços sangrentos,apalpo as formas desmanteladas de teu corpo,caminho solitariamente em tuas ruas onde há mãos soltas e relógios partidos,sinto-te como uma criatura humana, e que és tu, Stalingrado, senão isto?Uma criatura que não quer morrer e combate, contra o céu, a água, o metal, a criatura combate,contra milhões de braços e engenhos mecânicos a criatura combate,contra o frio, a fome, a noite, contra a morte a criatura combate, e vence.
As cidades podem vencer, Stalingrado!Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga.Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo.Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem.
[*] Extraído do livro A Rosa do Povo (poemas escritos entre 1943 e 1945). Rio de Janeiro: Record, 1987
Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Núcleo de Estudos Agrário - Gregório Bezerra

Convocação da reunião do Núcleo de Estudos Agrários - Gregório Bezerra no sábado (dia 29 de maio) às 14h na sede do Partido Comunista Brasileiro (PCB), localizada na Rua do Princípe (um pouco depois da CELPE, no lado oposto ao estacionamento Blue Park - 1º andar).
A ideia dessa reunião é fazermos a seguinte discussão:
1 - Avaliação do debate realizada na UFRPE;
2 - Finalizarmos o 1º eixo de discussão do núcleo (vias de realização da reforma agrária) - discutindo a via revolucionária da reforma agrária;
3 - Definição do segundo eixo de debate do NEAGB (sugestões pensadas até o momento - formação do estado brasileiro / diferentes formas de produção / campesinato)
4 - Possibilidade de uma segunda atividade mais ampla - limite da propriedade;
5 - encaminhamentos.
Segue abaixo o cartaz de divulgação do Nucleo de Estudos Agrário - Gregório Bezerra


Videos da Resistência Grega!

"TRABALHADORS CONTRA-ATACAM ATÉ A VITÓRIA!!"
"NÓS NÃO SEREMOS OS ESCRAVOS DO SÉCULO XXI"
Essas são algumas das frases escritas nos cartazes da PAME (Frente Militante dos Trabalhadores) Segue abaixo alguns videos das manifestações que estão ocorrendo na Grécia.
logo abaixo, uma "pequena" Manifestação do Partido Comunista Grego (KKE):
União da Juventude Comunista - UJC

USAID investe mais de 2,3 milhões de dólares contra Cuba na net

* Eva Golinger
O sistema capitalista tem uma enorme capacidade de regeneração que lhe prolongou a vida até a fase senil que nos atormenta. Neste texto, Eva Golinger denuncia que muito da campanha contra Cuba, hoje mais persistentemente e continuadamente violenta que nunca se alimenta da formatação das consciências que a campanha mediática do imperialismo possibilita. Para isso ela serviu-se de documentos secretos recentemente desclassificados. Dir-se-á que os documentos foram desclassificados. Mas a questão da formatação das consciências mantém-se: quem viu qualquer referência aos documentos nos meios de comunicação de massas, em todo o mundo dominados pelo grande capital?

Documentos recentemente desclassificados ao abrigo da Lei de Acesso à Informação (FOIA na sua sigla inglesa), evidenciam que a USAID investiu, desde 1999, mais de 2,3 milhões de dólares para disseminar a propaganda suja contra Cuba e financiamento de jornalistas dentro da ilha.

Os documentos, que incluem os contratos originais entre a USAID e a organização CubaNet demonstram um padrão de financiamento que aumenta e intensifica anualmente o seu esforço de promoção de informação distorcida sobre Cuba, tudo com a intenção de provocar uma «transição para a democracia», ou uma «mudança de regime» na ilha caribenha.
Desde há cinquenta anos que Washington está a fazer uma guerra suja contra Cuba. Um componente dessa agressão foi a utilização dos meios de comunicação para manipular e distorcer a realidade cubana perante a opinião pública internacional e, ao mesmo tempo, infiltrar e disseminar informação falsa dentro de Cuba.
Depois dos fracassos da Rádio e TV Martí, que ainda existem e recebem apoios financeiros de Washington apesar da sua inutilidade, um novo campo de agressão contra Cuba foi criada utilizando a internet. Em 1994, CubaNet estabeleceu-se como uma das primeiras páginas Web feitas para fazer propaganda contra a Revolução Cubana na internet. Sediada em Miami, CubaNet utiliza o dinheiro da USAUID e da National Endowment for Democracy (NED), de quem recebe multimilionárias contribuições para financiamento de «jornalistas» dentro de Cuba, e promover a campanha mediática internacional contra o governo cubano.
Apesar de não serem secretos o financiamento e as directrizes que CubaNet recebe das agências de Washington, os documentos recentemente desclassificados da USAID demonstram a estreita relação de controlo que as agências estadunidenses mantêm sobre a organização da propaganda.
Quando se fez o contrato entre a USAID e a CubaNet em 1999, o montante inicial de Washington previsto para o esforço de propaganda via internet era de 98.000 dólares. Esse dinheiro estava destinado a «apoiar um programa para a expansão de um Web sítio para jornalistas independentes dentro de Cuba». O contrato era de um ano, com a possibilidade de prolongamento pelo tempo necessário para a execução do programa. O encarregado do programa da USAID era David Mutchler, assessor principal da USAID para Cuba.
O contrato previa um relatório sobre o progresso da execução do programa trimestral a entregar à USAID, e um relatório anual, que detalhava todo o trabalho realizado no período anterior.
Quem manda é a USAID
Na cláusula 1.6 do contrato entre a USAID e a CubaNet, intitulado «Entendimentos principais da participação», sobressai o controlo mantido pela agência estadunidense sobre a organização de Miami. «Entende-se e acorda-se que a USAID manterá uma participação determinante durante a execução deste acordo de cooperação da seguinte forma: Pessoal Chave: o assessor principal da USAID para Cuba aprovará antecipadamente a selecção de qualquer pessoas chave e os seus subalternos. Planos de monitorização e Avaliação: o assessor principal da USAID para Cuba aprovará os planos para avaliar e monitorizar o progresso dos objectivos do programa durante o decurso do acordo de cooperação».
Basicamente, o funcionário da USAID é quem decide quem trabalhará no projecto CubaNet, qual o seu plano de trabalho e como se avaliará o seu progresso; por outras palavras, é quem manda na CubaNet.
Violação das leis dos EUA
Nos documentos que alteram o contrato original, que são 11 entre 2000 e 2007, fica demonstrado o aumento do financiamento anual do projecto CubaNet e revelam-se outros dados sobre a natureza do programa. Num documento de 19 de Abril de 2005 autorizou-se o envio de «fundos privados» para Cuba que não provinham da USAID ou de qualquer outra agência estadunidense, para «avançar com os objectivos do Acordo». Devido às restrições que o Departamento de Estado mantém sobre o envio de dólares estadunidenses para Cuba, os «fundos privados», segundo o documento da USAID, seriam escondidos dentro da autorização que já tinha a agência norte-americana para financiar o programa CubaNet.
O mesmo documento também revela que a CubaNet não só faz o seu trabalho dentro de Cuba, como também «continua a publicar reportagens… e a promover a sua distribuição nos meios massivos dos EUA e na imprensa internacional». Nos EUA é legalmente proibido distribuir propaganda financiada pelo governo estadunidense e utilizá-la como «informação» nos meios de comunicação. Não obstante, os documentos desclassificados evidenciam que a USAID está a violar totalmente essa lei.
Cada vez mais dólares
Os documentos mostram ainda que, anualmente, a USAID aumentava o seu financiamento a CubaNet para continuar os seus esforços de distribuir propaganda contra Cuba. Eis os montantes:
Ano de 1999: 98.000 dólares
Ano de 2000: 245.000 dólares
Ano de 2001: 260.000 dólares
Ano de 2002: 230.000 dólares
Ano de 2003: 500.000 dólares
Ano de 2005: 330.000 dólares
Ano de 2006: 300.000 dólares
Ano de 2007: 360.000 dólares
Total: 2, 323 milhões de dólares.
A campanha de agressão contra Cuba é hoje mais intensa que nunca, e este ano de 2010 a USAID dispõe de um orçamento de mais de 20 milhões de dólares para financiamento de grupos dentro de Cuba que promovem a agenda dos Washington. CubaNet continua a ser um dos principais actores na guerra suja contra Cuba.
Eis agora alguns dos documentos desclassificados disponíveis em PDF:
• Contrato original USAID-CubaNet:http://centrodealerta.org/documentos_desclasificados/usaid_contract-_cubanet_199.pdf• Alteração do Contrato USAID-CubaNet, año 2005:http://centrodealerta.org/documentos_desclasificados/usaid-cubanet_modification_.pdf• Alteração do Contrato USAID-CubaNet, año 2007:http://centrodealerta.org/documentos_desclasificados/usaid-cubanet_2007_addendum.pdf
* Eva Golinger é advogada e escritora norte-americana de origem venezuelana
Tradução de José Paulo Gascão

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fotos da Atividade do Nucleo de Estudos Agrário - Gregório Bezerra

Com o objetivo de abordar uma temática relevante, porém, nem tanto contextualizada para o meio rural, o Nucleo de Estudo Agrário - Gregório Bezerra idealizou um debate acerca da Realidade do mundo do trabalho no meio rural, entendendo o contexto histórico da crise de acumulação capitalista iniciada em meados dos anos 70, onde o capitalismo em busca da superação desta crise se dota de inumeros mecanismos que correspondem a uma reestruturação produtiva, segundo David Harvey, em seu livro Condição Pós-Moderna, é o processo de "acumulação flexível", pois flexibiliza-se direitos trabalhistas, produção, desregulamenta-se a economia, etc.
Diante desse intuito , o NEAGB se articulou com a Coordenação do Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas da UFRPE, bem como DA's da UFRPE, contando com o apoio das organizações políticas: UJC e PCB.
vale salientar que essa atividade foi propositalmente pensada para o mês de Maio em comemoração ao dia 1º - Dia do Trabalhador.

Segue abaixo fotos da atividade:

Antes de começar as atividades, breve apresentação do camara Benoni "Novo", com o apoio do camarada Tulio. Ambos membros da UJC e do Nucleo de Estudo Agrario - Gregório Bezerra.

Abertura pelo Coordenador do Curso de Licenciatura Agricola - UFRPE.
Bom número de participantes para prestigiar a atividade.
Abertura por parte do NEAGB, representando o nucleo: Yuri Vasconcelos




Atenágoras Oliveira, economista, membro do PCB, explanando sobre a Reestruturação produtiva.
Professor Marcos Figueirêdo (UFRPE), abordando sobre os impactos da reestruturação produtiva no campo.

Para finalizar as apresentações, o representante da CPT: Plácido Junior, falou sobre as lutas camponesas frente aos rebatimentos da reestruturação produtiva no campo, os desafios e as possibilidades.

domingo, 9 de maio de 2010

PALESTRA: REALIDADE DO MUNDO DO TRABALHO NO MEIO RURAL

REALIDADE DO MUNDO DO TRABALHO NO MEIO RURAL
EIXO 1: Reestruturação produtiva do capitalismo e os impactos no meio rural
Debatedor: Profº Marcos Figueiredo (UFRPE)
EIXO 2: As lutas dos movimentos camponeses
Debatedores: MST e CPT
Na sala de Seminários do Departamento de Educação
Dia 12/05/2010 às 19:00
Realização: Núcleo de Estudo Agrário - Gregório Bezerra e Curso de Licenciatura em Ciências Agrícolas
Apoio: UJC, PCB e DA's UFRPE

sábado, 8 de maio de 2010

A ANISTIA AOS TORTURADORES E A CONCÓRDIA DOS VERDUGOS



(Nota Política do PCB)

Na história social e política brasileira, os mitos mais sagrados são o da concórdia entre as classes e o nosso “espírito pacífico”. No dia 29 de abril passado, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que por 7 votos a 2 blindou politicamente a Lei de Anistia de 1979, mostrou ao país como e por que tais mitos sobrevivem e se fortalecem, ofendendo a memória e a luta de homens e mulheres que sacrificaram suas vidas para combater a ditadura burguesa, sob a forma militar, que se instalou no Brasil em 1964.
Capitaneada pelo Ministro Eros Grau, relator da matéria, a seção do STF contou com mais seis votos favoráveis à Lei de Anistia, a maioria de ministros nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujas impressões digitais aparecem na decisão. O Procurador Geral da República e o Advogado Geral da União defenderam no STF, certamente por orientação de Lula, a interpretação de Eros Grau, fundamentada no argumento de que todos, torturados e torturadores, foram “contemplados” pelo perdão amplo, geral e irrestrito da lei. Coincidentemente, na véspera da decisão, o Presidente Lula jantou com os ministros do STF.
Se havia alguma dúvida, o Supremo, para o deleite político dos reacionários e fascistas de ontem e de hoje, textualmente consolida o entendimento autoritário de que a Anistia também alcança aqueles que, sob o manto ou não do Estado, praticaram delitos que não são de natureza política, a exemplo de tortura e assassinato. Assim, a suprema corte brasileira, em nome de uma pacificação e concórdia que apenas servem para preservar da punição os criminosos que atuaram a mando das classes dominantes, despreza a legislação mais avançada dos fóruns internacionais, a qual considera imprescritível os crimes de tortura.
Para o Partido Comunista Brasileiro (PCB), a decisão possui significados que transcendem os limites jurídicos. O primeiro e principal significado é de natureza política. Em uma democracia frágil como a nossa, mesmo nos termos de sua institucionalidade burguesa, blindar politicamente os verdugos da ditadura militar sinaliza para a sociedade que estes estão tacitamente perdoados também em um plano moral. Este perdão moral é quase uma homenagem aos bandidos de ontem, fardados ou não, e um estímulo implícito àqueles que imaginam estar o Estado acima dos direitos e garantias fundamentais da pessoa.
Este entendimento da lei, baseado no mito da concórdia e de uma suposta índole pacífica do brasileiro, é ainda mais grave porque institucionaliza a anistia aos torturadores, invertendo moralmente o seu sinal e transformando-a em um novo legado autoritário do antigo regime. Com os nove votos, o STF reescreve o significado político da Anistia, sob o qual o regime militar consegue uma dupla vitória: perdoa a si mesmo com o perdão confirmado aos seus verdugos, e condena uma segunda vez as vítimas do arbítrio, agora ofendidas moralmente por uma corte que se pretende imparcial mas, com raras exceções, vota em geral pelos interesses mais conservadores da sociedade brasileira.
O segundo significado diz respeito à compreensão da memória política daqueles fatos que repercutem hoje e vão repercutir no futuro. E assim ocorre porque um dos valores da liberdade de qualquer povo é o conhecimento da verdade – verdade esta que teima em aflorar, a despeito de leis autoritárias blindadas, políticos coniventes com a mentira e uma imprensa hegemonizada ideologicamente pelos interesses do capital.
Por tudo isso, a decisão do STF é um golpe moral e político na história recente dos brasileiros. Daí ser necessário denunciá-la e resistir aos seus efeitos. Calar vai significar esquecer a memória da luta pela democracia. Vai, sobretudo, sinalizar para os fascistas e reacionários de hoje que eles estão livres para cometer torturas e assassinatos em nome da “Segurança Nacional” ou da ordem político-institucional. Não nos surpreendamos se os torturadores passarem a exigir as reparações e indenizações atribuídas aos verdadeiros anistiados políticos.
O PCB reafirma que os bandidos que atuaram em nome da ditadura burguesa-militar devem ser punidos pelos seus crimes de lesa-humanidade.
O PCB alerta que a cultura do esquecimento, proposta sempre às vítimas pelos criminosos do terror de Estado, deve ser repudiada e combatida.
O PCB exige a criação de uma efetiva COMISSÃO DA VERDADE, e não de conciliação como é da pior tradição brasileira, que esclareça as torturas, assassinatos e desaparecimentos de todas as vítimas da repressão, dentre as quais dezenas de dirigentes e militantes do nosso Partido.
COMITÊ CENTRAL
PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO (PCB)

Rio de Janeiro, maio de 2010