"Se você treme de indignação perante uma injustiça no mundo, então somos companheiros." (Che Guevara)

domingo, 25 de julho de 2010

AMÉRICA LATINA – O PRÓXIMO ORIENTE MÉDIO DOS EUA – COLÔMBIA, A PORTA DE ENTRADA

Laerte Braga

O mega traficante Álvaro Uribe encerra seu segundo mandato no dia 7 de agosto. Entrega o cargo ao novo presidente colombiano, seu aliado e de seu partido. Uribe tentou a todo custo um terceiro mandato. Não o conseguiu por duas razões simples. A primeira delas a fratura junto aos colombianos seria de tal ordem que as guerrilhas insurgente das FARCs e do ELN seriam fortalecidas pelo descontentamento popular. E segundo por conta dos documentos liberados por organismos do seu principal aliado, os EUA, ligando-o desde o início de sua carreira política ao tráfico de drogas.

Seria incômodo a qualquer presidente dos EUA ter que explicar aos acionistas e o entorno que habita o complexo empresarial e militar daquele país a presença de um traficante na presidência do maior aliado latino-americano.
A denúncia de Uribe sobre a presença de guerrilheiros das FARCs e do ELN em território da Venezuela tem dois aspectos também. Em setembro serão realizadas eleições na Venezuela e as pesquisas indicam vitória do partido do presidente Chávez. É sistemática a ação golpista dos norte-americanos em países que não se curvam (como se curva a Colômbia de Uribe) ao império terrorista de Washington. E segundo, no final do mandato, garantir um lastro de apoio político para evitar qualquer problema futuro com seu envolvimento no tráfico de drogas e assassinatos constantes de lideranças de oposição.
Para levantar a opinião pública colombiana basta apelar para o acendrado e canalha patriotismo dos militares (boa parte ligada ao tráfico de drogas) e contar com o apoio de Washington.
O império terrorista norte-americano vive uma de suas maiores crises e sob a perspectiva da História começa a encarar o declínio. As guerras constantes em sua trajetória se mostram hoje necessárias à sobrevivência de todo o conglomerado terrorista dos EUA.
Num contexto de tempo e espaço diversos se começa a viver a situação de bipolaridade mundial. Se antes era EUA versus UNIÃO SOVIÉTICA, hoje os EUA se defrontam com a China e os chineses descobriram o remédio capitalista para enfrentar o gigante da América.
Esse jogo é do agrado tanto dos EUA, como da China.
Manter o controle sobre países que consideram satélites, caso dos países latino-americanos, é fundamental. Já têm o domínio da totalidade da Europa, um continente falido e cercado de bases militares da farsa OTAN por todos os lados.
Uma guerra no Afeganistão, uma guerra no Iraque, o Oriente Médio sob o tacão nazi/sionista de seu principal aliado, Israel. E agora governos independentes de Washington na América Latina.
Anexaram o México como colônia de segunda categoria (historicamente fazem isso desde a tomada a Califórnia, do Texas e outros territórios mexicanos). Têm o Canadá como colônia de primeira categoria. Promovem golpes em países como Honduras, instalam bases militares na Costa Rica (“sem a polícia sem a milícia...”) e numa realidade sustentada por um arsenal nuclear capaz de destruir o mundo cem vezes, se impõem na chantagem da democracia, da liberdade que pode ser desmontada na versão armas químicas e biológicas de Saddam Hussein. Ao final não passavam de velhos fuzis de um exército brancaleônico de um ditador inventado pelos EUA.
Querem um novo Oriente Médio, recheado de bases militares, com o controle político e econômico da América Latina, um processo de recolonização que se materializa em governantes corruptos como Álvaro Uribe ou Pepe Lobo em Honduras e outros tantos.
Hoje, têm o controle da grande mídia nos países latino-americanos (“não queremos prejudicar os nossos amigos norte-americanos” – William Bonner explicando a alunos e professores de uma universidade paulista porque determinado fato não seria noticiado no JORNAL NACIONAL). Influenciam e comandam a maior parte das forças armadas de países latino-americanos (inclusive as brasileiras) e desnecessário dizer que o grande empresariado, banqueiros e latifundiários em qualquer país dessa parte do mundo é adereço desse modelo.
O que está em jogo é a sobrevivência do império terrorista norte-americano.
Se a América Latina e os povos latino-americanos não se curvarem um novo Oriente Médio está para ser criado. A Colômbia é a porta de entrada dessa barbárie.
A “classificação” de movimento “terrorista” aplicada às FARCs-EP foi uma decisão do presidente George Bush. As Nações Unidas enxergam as FARCs-EP como movimento “insurgente”.
A satanização de alguns países, seus governos e dos movimentos populares em todos os cantos do mundo foi o modo escolhido por um primata que presidiu os EUA por oito anos, Bush, a partir de uma fraude eleitoral, é a velha conversa de criar um fato irreal e a partir dele gerar uma verdade/mentira.
No caso da Colômbia, Enrique F. Chiappa, em “A NOVA DEMOCRACIA”, ano VIII, nº 65, maio de 2010, usa a expressão falso/positivo. Ilustra-a, para esclarecer, com o exemplo de um diagnóstico médico. Uma doença “infectocontagiosa potencialmente letal diagnosticada erroneamente.” O caso de uma pessoa que convive anos com um diagnóstico equivocado e num momento percebe o erro médico.
Falso/positivo é a realidade criada pelos EUA e sustentada pela mídia podre de países latino-americanos, no apoio a governos títeres e terroristas como o de Álvaro Uribe. O ser traficante de drogas é uma espécie de preço que cobra aos EUA, a tolerância silenciosa em função do interesse maior.
Quando o embaixador dos EUA no Brasil, durante o governo terrorista de Garrastazu Medice relatou ao presidente Nixon os horrores da tortura praticada por militares no País, ouviu em resposta – “é uma pena, mas temos que levar em conta que ele é um aliado importante” –.
Num determinado momento da história da Colômbia os movimentos insurgentes depuseram armas e transformaram-se em partidos políticos. Um acordo firmado entre o governo central e as forças rebeldes. Passadas as eleições onde conquistaram várias cadeiras no Congresso, em assembléias departamentais, prefeitos e autoridades outras, mais de três mil eleitos foram assassinados.
Contrariavam os interesses de elites e militares no grande negócio do estado terrorista da Colômbia, o tráfico de drogas.
No bombardeio de um acampamento de estudantes e insurgentes no Equador, em 2008, o governo colombiano afirmou ter encontrado um computador de Raul Reys, chanceler das FARCs-EP, onde estavam as provas das ligações do governo Chávez com a guerrilha.
Um mês depois não se falava no assunto. Peritos de todas as partes do mundo foram unânimes em afirmar que o computador fora alterado por agentes do governo colombiano.
As fotos de guerrilheiros em território venezuelano foram feitas por satélites norte-americanos. A tecnologia da mentira e da destruição permite a eles que, no arsenal que destrói o mundo cem vezes, coloquem os guerrilheiros em qualquer parte do mundo. Na Venezuela, no Brasil, onde quer que os interesses terroristas dos EUA falem mais alto.
Os últimos vagidos do governo Uribe mostram esse desespero em busca da sobrevivência política em seu país e o submundo terrorista dos EUA, que corre por baixo da Casa Branca, com a conivência da Casa Branca.
A Colômbia e um país governado pelo narcotráfico e por terroristas garantidos pelas bases militares dos EUA. Não é nem surpresa, pois militares norte-americanos estão envolvidos em tráfico de drogas e mulheres no Iraque, no Afeganistão e países do Leste Europeu, a denúncia ecoa entre os próprios governos colonizados da Europa, preocupados com eleições futuras.
Um narcotraficante incomoda muito menos que um insurgente. E além do que gera dinheiro para os cofres de banqueiros. Na lógica capitalista de exploração do homem pelo homem, diagnóstico de Marx, gera empregos, expande o comércio, etc, e tal.
O tráfico de drogas não é e nem nunca foi o Morro do Alemão no Brasil, ou qualquer morro colombiano. É o presidente de um país chamado Colômbia criado e gerado por Pablo Escobar e vai por aí afora, nessa dimensão.
Existem muitas “colômbias” nesse sentido.
Pode-se até fazer uso da frase de Paulo Maluf quando candidato a uma das muitas eleições que disputou – “quer estuprar estupra, mas não mata”. Quer traficar, trafica, mas patrioticamente em defesa da democracia e dos “negócios” dos EUA”.
Quando da guerra de invasão, ocupação e saque do petróleo iraquiano, diante da resistência inicial de alguns setores daquele país, o secretário de Defesa de Bush afirmou à imprensa que a “operação militar” mudaria de nome. Ao invés de “justiça e liberdade” passaria naquele momento à fase “choque e pavor”. “Negócios” para os norte-americanos pode ser também uma questão de terminologia.
Isso, para eles, é irrelevante. Soa ao mundo inteiro da mesma forma que soou aos iraquianos. Com a diferença que iraquianos viveram o “choque e pavor” na própria pele, vivem ainda. E o resto do mundo escutou o senso de “justiça e liberdade” dos EUA.
Ou já nos esquecemos das imagens de tortura em prisões do Iraque? Do saque das peças do museu babilônico? As tropas de Hitler tentaram colocar as mãos em várias peças do museu do Louvre, na ocupação durante a 2ª Grande Guerra, para exibi-las no Museu de Berlim. As peças do museu babilônico estão em museus privados de New York.
GUERNICA, o monumental painel de Picasso retratando a barbárie fascista de Franco na Espanha, só chegou aos espanhóis com o fim da ditadura.
Quando um paspalho como Índio da Costa, vice de José Arruda Serra, fala sobre envolvimento do governo brasileiro e seu partido com as FARCs-EP e com o narcotráfico, não o faz por iniciativa própria. É só um avião com diploma de primeiro, segundo e terceiro graus dos donos, tentando criar um debate irreal, mentiroso, dentro de uma lógica colonizadora (“para onde se inclinar o Brasil se inclinará a América Latina” – Richard Nixon) e no momento que os boss mandam.
Por ser um paspalho e empregado desse modelo, é mais cômodo para os de cima que ele fale.
Na Colômbia existe um estado de terror. Lideranças sindicais, camponesas, de partidos de oposição, são sistematicamente assassinadas. Estão dentro do que chamam mundo institucional. Da “ordem e da lei”. Mas não curvam à entrega do país aos colonizadores de Washington e tampouco aos grupos militares e para-militares que sustentam o governo do tráfico.
Felipe Zuleta em um documentários “UM CRIMEM QUE SE PAGA CON LA MUERTE”, mostra a história do terrorismo oficial. Toda a barbárie do governo colombiano contra a população civil indefesa.
Duas mães cujos filhos foram assassinados pelo terrorismo do tráfico de Uribe e que recebem a versão oficial que a guerrilha matou seus filhos. Perdura até que uma vala comum mostra que, ao contrário, o governo assassinou os rapazes. Esse mesmo governo muda a versão. “Os filhos eram guerrilheiros”.
O tráfico continua impune. Isso não vai sair nunca no JORNAL NACIONAL, ou na FOLHA DE SÃO PAULO, ou em VEJA, pois são cúmplices. Um dos papéis que lhes cabe cumprir é exatamente o de esconder fatos assim, corriqueiros na Colômbia e imputar aos resistentes, quaisquer que sejam, os crimes do tráfico.
O fato aconteceu na cidade de Soacha, próxima a Bogotá e com 400 mil habitantes.
Mario Montoya, general e democrata colombiano é um dos implicados em assassinatos de civis, trabalhadores escravos (no tráfico) e acaba tendo que renunciar. Como prêmio, virou embaixador.
Valas com corpos de desaparecidos são encontradas com freqüência em áreas não controladas pelas FARCs-EP ou pelo ELN. Uribe chegou a admitir que alguns militares estavam envolvidos “nesses assassinatos”. Escolheu os bodes expiatórios e pronto, tudo continua tranqüilo.
Envolver Chávez e gerar uma realidade mentirosa sobre as FARCs-EP e os ELN (última guerrilha criada por Chê Guevara) é uma jogada. Só isso. Nada além disso.
Um passo na sistemática política golpista contra o presidente da Venezuela, uma tentativa de criar um Oriente Médio na América Latina.
Por que? Para que possam, à semelhança do que fazem naquela parte do mundo, ocupar, saquear e controlar a partir de bases militares, governos servis e corruptos, o que fazem também na Europa, Ásia e África.
O complexo terrorista da empresa EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A não tem escrúpulo algum. Suas garras e tentáculos são maiores e bem mais cruéis do que se possa imaginar.
Não importa que um piloto do alto e de dentro da cabine de seu avião imagine que uma cerimônia de casamento no Afeganistão seja um aglomerado de “terroristas do Talibã”. Ele os mata e um pedido de desculpas é emitido em nota fria e insensível de uma organização terrorista – EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A –. Lido em todos os cantos pela mídia dócil e venal.
E enquanto isso, milhões de norte-americanos vivem na linha da miséria, desabrigados, sem educação pública, saúde, mas os grandes conglomerados que controlam a Casa Branca pagam, com dinheiro desses milhões, os tais bônus por desempenho.
O nome desse desempenho é terrorismo, com todas as suas implicações. Assassinatos, seqüestros, estupros, tortura, atentados, muros e campos de concentração, toda a barbárie que é intrínseca aos EUA e ao sionismo.
E no final são só “negócios”. Mas nesse caso nem há a frase clássica da máfia. “Nada pessoal, são só negócios”. Não consideram como seres humanos, pessoas, os de outros cantos que não os dos EUA e Israel e mesmo assim nem todos. Acreditam-se ungidos como povo eleito, superior.
Tudo igualzinho a Hitler.
A luta do povo e do governo venezuelano é a luta dos povos latino-americanos. E não tem essa de o Zorro chegar e salvar. Não.
Exige consciência, organização e capacidade de resistência, sob pena de nos transformamos em adereço da coroa imperial da organização terrorista EUA/ISRAEL TERRORISMO S/A.
Para quem acha que COLGATE resolve doze problemas bucais, fazer o que?
É o jeito deles de dizer que um desinfetante é mais inteligente que qualquer um de nós. Pode ser o desinfetante Uribe, ou Índio da Costa, Ana Maria Braga, Faustão, ou as “pesquisas” do DATAFOLHA ou IBOPE (GLOBOPE).

terça-feira, 20 de julho de 2010

LANÇAMENTO DAS CANDIDATURAS EM PERNAMBUCO


Ivan Pinheiro - Presidente - 21
Edmilson Costa - Vice-presidente
Roberto Numeriano - Governador 21
Anibal Valença - Vice-governador
Délio Mendes - Senador 211
Luciano Morais - Dep. Federal 2121
Ivanildo Santos - Dep. Estadual 21321
Armando Fernandes - Dep. Estadual 21222
Compareça no dia 23/07 no Clube de Engenharia,
bairro da Madalena - por detrás do Mercado da Madalena - Rua Real da Torre s/n, Recife-PE. A partir das 19h00min.
A União da Juventude Comunista vota nos camaradas do PCB!!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tudo é prioridade, defende Roberto Numeriano


Tudo é prioridade, defende Roberto Numeriano
Publicado em 18.07.2010, às 11h37


Do JC Online

Roberto Numeriano é candidato ao Governo de Pernambuco pelo PCB.
Foto: JC Imagem


JC ONLINE - Por que o sr. quis ser político?

ROBERTO NUMERIANO - Desde adolescente, gostava de ler e acompanhar a política, embora, na época, por causa da ditadura militar, não pudéssemos falar muito alto e fazer muita mobilização. Também sempre me inquietei com a miséria social da maioria dos brasileiros, aí somada a fome, a falta de educação formal de qualidade, a falta de moradia, atendimento médico-hospitalar universalizado. Para mim, a política, feita com ética, orientada para construir uma sociedade e regime socialistas, é o melhor meio para apontar soluções que atendam aos mais necessitados.


JC ONLINE - Por que o sr. acha que merece o voto do eleitor?

ROBERTO NUMERIANO - Não acho que mereça o voto de um ponto de vista "pessoal", como acham os políticos que pensam o papel da política numa perspectiva individualista, centrada nos interesses de grupos econômicos, por exemplo. A rigor, não há um "você" que se projeta na política para pedir votos, mas há, sim, um político que é expressão dos ideais coletivos de um partido que tem como projeto central conquistar o brasileiro para o socialismo. Vamos buscar o voto do eleitor para transformar a sociedade, pois não vemos o voto como um fim em si mesmo.


JC ONLINE - O que o sr. destaca na sua trajetória política?

ROBERTO NUMERIANO - A refundação do PCB em Caruaru, nos anos 80.


JC ONLINE - Eleito, qual será sua prioridade?

ROBERTO NUMERIANO - Não podemos ter uma prioridade, quando tudo é prioridade. Posso dizer que minha equipe vai trabalhar muito para criar muitos empregos, qualificar o ensino médio, sanear e urbanizar os municípios, além de melhorar o atendimento médico-hospitalar, a segurança pública e os transportes, mas dentro de uma perspectiva de gestão popular na teoria e na prática.

Entrevista IVAN PINHEIRO em Sergipe

Entrevista do candidato a Presidência da República, Ivan Pinheiro.TV CIDADE - PGM 'BATALHA NA TV' - ARACAJU/SE - JUL/2010. Em 3 partes:
Video 1:
Video 2:
Video 3:

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FORMAÇÃO POLITICA UJC

ESPAÇO MENSAL DE FORMAÇÃO POLÍTICA DA UJC
  • Tema: Educação e Universidade Popular
  • Facilitador: Antônio Alves "Morgação"
  • Quando: Dia 18/07 (domingo) às 09:00
  • Onde: Sede da UCS - Centro do Recife na Rua Malaquias da Rocha, s/n, em frente da Assembléia de Deus, por trás do edf. Apolo - edifício redondo. Casa branca de primeiro andar, com portas, janelas e grades em vermelho.
  • Maiores Informações: 8728-3725/ 92734603

    Dicas de como chegar:
    1) Vindo pela Rua Conde da Boa Vista, pegar a Gervásio Pires (sentido contrário dos carros), ir até o final e entrar à direita na Av. Mário Melo (avenida dividida por canteiros). Depois, pegar novamente a primeira rua à direita (rua sem saída).
    2) Pela Av. Cruz Cabugá, sentido Olinda-Recife entrar na Av. Mario Melo à direita (esquina com a Assembléia de Deus) e entrar à esquerda na rua sem saída, que fica entre o edf. Apolo (redondo).

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Organizar a luta da classe trabalhadora brasileira na perspectiva de construir a Central Sindical Classista

Os trabalhadores brasileiros, em sua rica história de lutas, vivenciaram diversas experiências organizativas. Desde a Confederação Operária Brasileira, passando pelo Movimento de Unificação dos Trabalhadores e pelo Comando Geral dos Trabalhadores do Brasil, no período pré-golpe de 1964, chegando até a CUT, criada no ocaso da ditadura militar. Todas essas experiências refletiram o momento histórico vivido pela luta dos trabalhadores e o seu grau de organização. Tiveram o seu surgimento, existência e desaparecimento condicionados pela necessidade histórica de os trabalhadores construírem as suas organizações para enfrentar o capital, naquele estágio da luta de classes. A superação dos limites organizativos impostos pelo Estado, com a circunscrição dos sindicatos à representação das respectivas categorias, sempre foi bandeira do movimento sindical em nosso país. A luta pela liberdade e autonomia sindicais sempre esteve presente na pauta da classe trabalhadora. A realização do Conclat em 1981 desafiou a proibição governamental e apontou para um patamar mais avançado da organização de classe.
A CUT surgiu em um marco de divisão no movimento sindical. Sua trajetória representou as aspirações imediatas dos trabalhadores e congregou, durante uma boa parte de sua história, grande parte dos setores mais avançados do movimento sindical. A CUT esgotou-se enquanto instrumento da luta da classe trabalhadora antes do governo Lula e atingiu os seus limites no advento desse governo. De símbolo da luta dos trabalhadores, a CUT se tornou numa correia de transmissão do governo no movimento operário. O esgotamento da CUT fez diversos setores romperem com essa central e buscarem novas formas de organização.
Do bojo da CUT surgem duas experiências organizativas dos trabalhadores no país: a Intersindical e a Conlutas. Fundada em 2003, na esteira da reforma da previdência, a Conlutas teve como base setores importantes do sindicalismo do setor público, com um grande peso do PSTU em sua direção e formulação política. Define-se como uma organização sindical e popular, em que convivem em uma mesma organização de massa sindicatos, movimentos sociais, estudantes e movimentos contra a opressão. Em 2008, a Conlutas fez o requerimento, junto ao Ministério do Trabalho, de seu registro como central sindical.
A Intersindical foi fundada pelos setores que romperam com a CUT no processo congressual dessa entidade no ano de 2006. A Intersindical surgiu como um instrumento de organização e luta dos trabalhadores. Participaram de sua fundação a Unidade Classista - PCB, a ASS e as correntes do PSOL que não faziam parte da Conlutas: a APS, o Enlace e o Csol. Mesmo sem organização em todos os estados, a Intersindical teve um papel relevante nas lutas do último período.
Em 2008, no II Encontro Nacional da Intersindical, em São Paulo, após um profundo debate sobre a oportunidade ou não de se criar a Central Sindical naquele momento, precipitou-se uma fissura nesse encontro, tendo como eixo norteador a continuidade da Intersindical ou a unificação com a Conlutas. As correntes do PSOL optaram pela estratégia de unificação com a Conlutas, o que redundou na convocatória para o Congresso de Santos, em 05 e 06 de junho deste ano. Por outro lado, os comunistas, a ASS e independentes optaram por reforçar a Intersindical como instrumento de organização e luta dos trabalhadores.
O Congresso de Santos, que teria como objetivo principal a unificação da Conlutas com as correntes do PSOL que reivindicam a Intersindical, terminou com a retirada dessas correntes, juntamente com Unidos pra Lutar e do Movimento Avançando Sindical. O fracasso da tentativa de unificação tem causas que transcendem o Congresso e evidenciam as contradições de concepção de central, da metodologia de sua construção e de condução do processo em si.
A questão da Central: as diversas concepções
A Conlutas se construiu como uma organização de sindicatos, oposições e coletivos sindicais, convivendo organicamente com diversos movimentos sociais, incluindo aqueles dedicados às lutas contra a opressão, além de estudantes. As relações entre as diversas expressões nos marcos de um mesmo espaço político e organizacional nunca foi resolvido pela Conlutas. A não resolução dessa questão favoreceu a hegemonia política, não necessariamente numérica, de um partido, o PSTU, sobre as demais correntes políticas. Mais: a diluição da representação política interna e das instâncias de direção fez aprofundar o hegemonismo e o aparelhismo. Em 2008, nas vésperas do congresso nacional da Conlutas, diversas correntes, todas participantes do Congresso de Santos, se retiram da Conlutas por esses motivos.
O PCB contrapôs a essa concepção de central sindical e popular a necessidade de uma organização que expresse a intervenção dos trabalhadores enquanto classe, tendo como mote a contradição capital-trabalho. Os movimentos contra a opressão – anti-racismo, gênero, diversidade sexual – devem ser entendidos pelo ponto de vista de classe. Essas questões são importantes, mas são dimensões da exploração e da opressão do capital sobre o trabalho. Sem essa compreensão, os movimentos contra a opressão se tornam movimentos de busca por melhores condições de participação na dinâmica do sistema capitalista.
A organização dos trabalhadores deve refletir todas as dimensões da luta de classes. Deve-se evitar o risco de se diluir a questão central, a exploração do trabalho pelo capital. As lutas contra a opressão devem, necessariamente, ser tratadas de acordo com as suas especificidades. A inclusão desses setores em uma organização sindical é prejudicial à sua própria dinâmica. E a inclusão dos estudantes se torna ainda mais complexa, tendo em vista que o conjunto dos estudantes não se constitui como classe. O movimento estudantil é transitório e policlassista por sua própria natureza.
Todas as experiências organizativas dos trabalhadores brasileiros refletiram uma necessidade colocada pelo grau de mobilização do movimento operário. Apesar de lutas significativas de diversos ramos e categorias, a mobilização da classe trabalhadora não possui ainda um caráter nacional. A necessária unidade de ação do conjunto da classe é uma tarefa para este momento. O ponto alto de uma ação unificada foi o Encontro Nacional de 25 de março de 2007, ocasião em que o Fórum Nacional de Mobilização, que deveria ter surgido daquele encontro, não vicejou. Também fracassaram as tentativas de elaboração de um programa comum.
O patamar da luta de classes no Brasil coloca para os trabalhadores a necessidade da construção de uma Central Sindical classista. Apesar das diferenças de concepção, da frágil unidade de ação e da ausência de um programa comum, a construção dessa Central não pode se dar apenas como um acordo entre correntes, mas deve ser encarada como tarefa dos diversos setores que lutam pela transformação da sociedade e têm, na luta contra o capital, a perspectiva de uma nova sociabilidade. Esse debate terá por tarefa a unificação das lutas específicas, a concepção de bandeiras gerais e o estabelecimento da solidariedade de classe como pontos básicos para a sustentação do projeto de construção da Central.
A recente tentativa de criação de uma central sindical e popular na cidade de Santos expôs as fragilidades do seu processo de convocação e de preparação, além de reproduzir os mesmos problemas de concepção existentes na Conlutas. Como resultado, ao invés de contribuir para a unidade, aprofundou a fragmentação. Urge a necessidade de se retomar a unidade de ação entre as diversas organizações dos trabalhadores. Esse exercício deve contribuir para a construção da luta da classe na perspectiva da unidade organizacional.
Pressupostos para a reorganização do movimento operário
Como afirmado anteriormente, a Central Sindical tem um papel de unificação das lutas dos trabalhadores. Para tal, a ação da central supera o puro e simples economicismo. Ultrapassa, também, as manifestações espontâneas dos trabalhadores. A ação econômica, sem politização, descamba no peleguismo e na adaptação do movimento operário ao jogo da concorrência capitalista. Ou seja, não bastam conquistas salariais e de melhores condições de trabalho. Também é importante superar o obreirismo, evitando a divisão entre setor público e privado, situação formal ou informal, lutas da cidade e do campo.
Nós, comunistas, não subestimamos o papel dos partidos e correntes no movimento operário. Organizamos o nosso partido, o PCB, que se propõe a ser um destacamento de vanguarda do proletariado. Temos clareza, porém, que a vanguarda não substitui a classe e a organização sindical, seja na Central, seja nas demais organizações sindicais. Portanto, devemos respeitar os mecanismos de mediação da classe trabalhadora.
O maior patrimônio do movimento operário é a sua unidade. Mas essa unidade não pode ser construída burocraticamente. Promover essa unidade de ação é responsabilidade dos setores que se reivindicam de vanguarda. Nós, comunistas do PCB, estamos dispostos a participar de todas as discussões necessárias à construção da unidade de ação e do programa capazes de nortear o caminho para a efetiva criação da Central Sindical Classista, uma central autônoma frente ao governo e ao patronato, que tenha centro nas organizações sindicais da classe trabalhadora. A construção dessa central não pode ser fundada por mero ato de vontade. Sua concepção tem que ser debatida a fundo entre as organizações da classe e não pode se submeter apenas às disputas entre partidos e correntes. A Central surgirá como uma construção da luta dos trabalhadores em nosso país, juntamente com a sua vanguarda, organizada na unidade de ação.
Nós, comunistas do PCB, trabalhamos pelo fortalecimento da Intersindical - instrumento de organização e luta dos trabalhadores - e conclamamos, para a unidade de ação e organização da luta, aqueles setores que, tendo divergido da condução hegemonista no Congresso de Santos, entendem a necessidade de construção de uma Central Sindical Classista que surja da ação e do debate entre as diversas organizações da classe trabalhadora e forças políticas que se dedicam de fato à unidade e à organização da classe no enfrentamento ao capital e na perspectiva da construção da sociedade socialista em nosso país.
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Superar a ideologia do Capital (o PCB apresenta à alternativa)


A situação atual do nosso país é critica. Primeiro pelo processo de conformidade que enfrentamos. Pois a maioria da população acredita, por meio do senso comum, que vivemos um governo de esquerda, e o pior, que as conquistas simples que já foram atingidas são o máximo que conseguiríamos alcançar. Segundo, por estarmos às portas de uma nova eleição presidencial que decidirá, em termos macro, a política social-econômica do país, com a polarização de duas candidaturas que no fundo são irmãos siameses, pois em sua essência, os projetos políticos para o Brasil são os mesmo, acelerar a exploração capitalista no país e diminuir ainda mais os direitos da classe trabalhadora com ações de caráter assistencialista, que camuflam o problema ao invés de resolver. E terceiro e último questionamento se dá pela conjuntura adversa que vive as organizações revolucionárias, que enfrentam uma crise organizacional, pois os ataques da ideologia neoliberal nas últimas décadas causaram crises que resultaram nesse processo que desestabilizou a classe trabalhadora, com ataques constantes das forças reacionárias.
Hoje, o que se apresenta como alternativa digna para superar a ideologia dominante do Capital é a candidatura do PCB. Pois não se prende a imagem personalista dos caciques territoriais, mais sim, em uma proposta de reorganização da sociedade brasileira, levando em conta as necessidades reais da classe trabalhadora contra o Capital. Apresenta uma proposta de democracia direta, conclamando o Poder Popular, trazendo de forma singular o debate sobre a extinção do Senado, por entender que o sistema unicameral poderá ser mais eficiente para o desenvolvimento e execução das demandas da sociedade, para agilizar os encaminhamentos de projetos de lei. Além de propor e defender a reforma agrária e a autonomia dos movimentos sociais e o internacionalismo proletário.
Em um mundo tão complexo, onde o capitalismo já assumiu no Brasil a sua forma monopolista, associada ao grande Capital imperialista internacional, o PCB como organização revolucionária propõe uma revolução socialista, exigindo o respeito que a classe trabalhadora merece, e apontando o caminho que a classe trabalhadora deve seguir para construir uma nova sociedade, onde as mulheres serão mais respeitadas, as crianças terão seus direitos assegurados, a reforma agrária irá ser realizada, onde a jornada de trabalho será reduzida para garantir uma sociedade do pleno emprego (projeto que só os comunistas têm coragem de propor).
È por isso que votarei nos candidatos do PCB, por saber que mesmo em uma conjuntura adversa, existem pessoas que acreditam na transformação e lutam para mudar a sociedade, pois o PCB é a interpretação de Marx nas Teses de Feuerbach, não queremos entender o mundo, pois muitos já entenderam, o que queremos na verdade é mudá-lo.

*Por: Antonio Alves – Educador Social e Estudante de Jornalismo
Esse texto se encontra no
http://diasdeguerranoitesdeamor.blogspot.com/

terça-feira, 6 de julho de 2010

UJC: Pelo direito à História

PELO DIREITO À HISTÓRIA

Os jovens comunistas brasileiros, reunidos no V CONGRESSO NACIONAL DA UNIÃO DA JUVENTUDE COMUNISTA (UJC) declaram total apoio à luta pela abertura dos arquivos militantes, que permanecem em sigilo mesmo após quase trinta anos da suposta redemocratização em nosso país.

A ditadura militar no Brasil (1964-1985) representou um dos períodos mais nefastos da história do país. Período no qual perdeu a cor e a vida dos brasileiros, o direito de fala, de expressão e de organização social e política foram anulados e a luta pela liberdade, justiça e democracia tiveram como resposta repressão, violência, perseguições, torturas, exílios e assassinatos. Vários foram os militantes sociais e políticos que perderam suas vidas por não se curvarem perante um sistema retrógrado, ultraconservador e antidemocrático. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi uma das organizações mais afetadas nesse processo, tendo um terço do seu Comitê Central assassinado durante a ditadura.
Mesmo com essa conjuntura desfavorável, as forças democráticas do país (entre elas, com destaque para os comunistas) continuaram a lutar pela derrubada do regime militar. A pressão social foi minando o regime, conseguindo importantes conquistas – como a Lei da Anistia Geral, em 1979 – até o fim da ditadura no Brasil em 1985, sendo, portanto, a mais longa das ditaduras na América Latina.
Apesar do fim da ditadura militar, algumas das suas feridas são visíveis até hoje, e seus reflexos em todas as áreas da sociedade também. São poucos os documentos e registros que nos permitem saber realmente o que aconteceu na época e a verdade ainda permanece obscura. Familiares sofrem por calúnias e falta de informações de seus parentes militantes da época. Os restos mortais de muitos lutadores e lutadoras do povo ainda continuam desaparecidos e os responsáveis pelas torturas e assassinatos de milhares de militantes sociais e políticos continuam sem serem punidos. Os governos, que sucederam o “nosso período das Trevas” até os dias atuais, tentam esquecer o que passou com leis e processos meramente figurativos que não nos permite uma aproximação com a realidade.
A União da Juventude Comunista (UJC) entende que os parentes e amigos dos militantes assassinados pela ditadura militar possuem o direito de poder enterrar os seus restos mortais e se despedirem de forma digna. Entende também que os responsáveis pelas torturas e assassinados devem ser punidos pelos seus crimes, independentemente de quantos anos já tenham se passado. A impunidade aos torturadores e assassinos é uma vergonha para a história do nosso país.
Os jovens comunistas engrossam as fileiras da luta pela abertura dos arquivos da ditadura militar, na perspectiva de termos acesso à história e a verdade do nosso país. A abertura dos arquivos representa a verdade sobre o que ocorreu durante esse período nefasto, em respeito aos bravos militantes que tombaram na luta contra a ditadura, e para a punição dos responsáveis por esse período sangrento no Brasil.
Como disse Ernesto Che Guevara: “Um povo que não conhece a sua história está condenado a repetí-la”. Não permitiremos que sejamos enganados e massacrados novamente. Nesse sentido, a UJC conclama os jovens brasileiros a se organizarem e lutarem

PELA ABERTURA DOS ARQUIVOS DA DITADURA MILITAR!

PELA PUNIÇÃO DOS TORTURADORES E ASSASSINOS!

PELO DIREITO À HISTÓRIA!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

INFORME POLÍTICO: V CONGRESSO NACIONAL DA UJC

INFORME POLÍTICO

Entre os dias 01 e 04 de abril de 2010 ocorreu o V Congresso Nacional da União da Juventude Comunista (UJC), na cidade de Goiânia, em Goiás. O Congresso foi precedido pela realização do Seminário Internacional de Educação, Extensão e Universidade Popular. A UJC é uma organização que comporta jovens comunistas que possuem concordância política com a estratégia e tática do Partido Comunista Brasileiro, sendo uma frente de massas do mesmo.

Fundada em 1927, a UJC nunca havia realizado, até então, dois congressos seguidos. Em sua história, entre um congresso e outro, a UJC ora era dissolvida em razão de questões táticas do PCB, ora era dizimada pelas ditaduras que sofremos no Brasil. Assim, todos os Congressos até hoje haviam sido Congressos de organização ou reorganização. Pela primeira vez, a UJC realiza um Congresso consecutivo: o primeiro de 2006, que reorganizou a juventude do PCB e o segundo, em 2010 no qual se avaliou conjuntura política, a situação da juventude e a atualização da nossa linha política.
Entre o Congresso de Reorganização em 2006 e o Congresso em 2010 várias foram as atividades realizadas pela UJC. No âmbito do mundo do trabalho, atuamos tanto com os jovens empregados quanto com os jovens desempregados, encampando campanhas, como a Campanha: “Nenhum direito a menos para a juventude trabalhadora! Pela redução da jornada de trabalho, sem redução do salário! Mais e melhores empregos para a juventude! Pela criação de frentes de trabalho para a juventude e os desempregados!” No movimento estudantil, atuamos, fundamentalmente, na defesa da Educação e Universidade Popular, sendo contra a lógica mercantil do ensino. No campo cultural, nossa atuação ocorreu através de trabalho com grupos culturais de regiões periféricas, se opondo veementemente à reprodução de valores dominantes e lutando pela valorização da cultura popular, revitalizando a identidade e unidade de classe entre os oprimidos pelo capitalismo. Além desses campos de atuação, a UJC esteve presente nas atividades relacionadas ao internacionalismo proletário, como, por exemplo, as campanhas de solidariedade a Cuba, Palestina e Haiti.
Assim, nesse Congresso foram quatro os principais eixos debatidos: análise de conjuntura, o papel da juventude no contexto atual, as diferentes frentes de atuação da organização e a própria estrutura da mesma.
Entendendo que a recente crise econômica foi uma crise sistêmica do capital, isto é, foi uma crise que faz parte do próprio funcionamento do sistema econômico vigente, e que acontece periodicamente, como ocorreu em outros momentos da história do capitalismo, a UJC não encontra possibilidade de uma ruptura espontânea com o capitalismo. A crise econômica foi uma crise na taxa de lucro da burguesia, mas não uma crise do Capital. No entanto, é inegável que esta crise demonstra os problemas estruturais do sistema capitalista.
A burguesia, para superar a crise, toma medidas para acirrar a exploração do proletariado, como a diminuição das condições de trabalho, as demissões em massa, contratação de funcionários com baixo salário, o trabalho informal e precarizado, as terceirizações e flexibilização, e mesmo a queima de capital constante, isto é, deixando máquinas inoperantes.
Na tentativa de superação da crise, a burguesia acirra também as ações imperialistas, que espoliam países através da força armada. Tal espólio é realizado tanto na forma do roubo de matéria prima como na destruição da infra-estrutura do país, exigindo-se que um governo derrotado financie a reconstrução realizada por empresas imperialistas. Tal mecanismo é uma medida constante por parte da burguesia na busca da expansão de seu mercado e como medida de combate a queda tendencial de sua taxa de lucro.
No Brasil, o Governo Lula se encerra tendo cumprido o papel de desenvolvimento de uma formação social capitalista completa, formando um consenso tipicamente burguês na nossa sociedade. Através de sua política de incorporação e cooptação dos sindicatos na administração estatal, de acomodação dos movimentos sociais através da cooptação político-ideológica e de envio de fundos para os mesmos, e com a ampliação da política assistencialista, o governo Lula consolidou a ditadura do capital pela hegemonia burguesa.
O plano econômico, aplicado durante os governos neoliberais anteriores e continuada e aperfeiçoada no governo Lula, serviu ao fortalecimento da grande burguesia brasileira, fortalecendo o domínio da mesma sobre o proletariado. As condições de trabalho continuam precárias e pioram com o avanço das terceirizações. É cada vez maior o número de empregos precarizados e informais, ganhando destaque a inserção dos jovens neste contexto. As condições de estudo, embora sejam propagandeadas como tendo melhorado, em verdade foram expandidas, sem necessariamente apresentar melhorias em sua qualidade, como é o caso do Reuni, caracterizando-se como uma expansão comprometida com o capital. A estrutura educacional do país não leva em conta as necessidades da sociedade, mas sim as necessidades do mercado.
As políticas como a do pró-uni servem não para mudar o caráter do ensino brasileiro, mas sim para subsidiar as próprias universidades particulares. O que antes eram estudantes inadimplentes hoje são estudantes bolsistas. Não por acaso foi criada uma lista nacional dos estudantes inadimplentes que é dividida entre boa parte das escolas e universidades particulares, fazendo com que aqueles que deixaram de pagar mensalidades das instituições de ensino não possam se matricular em outras. Assim, apesar da propaganda feita sobre o pró-uni, este não está em favor dos trabalhadores, mas sim do setor privado da educação, em detrimento das universidades públicas.
Neste contexto, a juventude continua a ser um dos segmentos sociais que mais sofre com a precarização do trabalho e com o desemprego. Com baixas condições de estudo, e se submetendo a empregos precários nos quais o nível de exploração é altíssimo, como no caso de estágios ou de bolsas remuneradas nas quais os jovens devem prestar serviços, a perspectiva de boas condições de vida dos jovens não aumenta. Para os jovens do meio rural, as condições de vida são ainda mais precárias, pois além da falta de oportunidades e de serviços públicos, sofrem com a enorme concentração fundiária em nosso país, umas das principais geradoras das injustiças e desigualdades sociais no campo brasileiro.
Além dessas questões, a juventude é bombardeada cotidianamente pela hegemonia burguesa, que enfatiza o culto ao indivíduo, o consumismo e a universalização das demandas particulares da burguesia como verdades absolutas e naturais. Por exemplo, os espaços de lazer hoje são mercantilizados e marcados pela exploração. Torna-se impossível ter qualquer forma de lazer sem resultar em altos gastos. Os espaços de lazer além de serem vendidos como mercadoria e cada vez mais privados, não contribuem na formação de uma consciência critica da juventude, só servindo à alienação.
Nesta conjuntura, a UJC, dentro da linha política do PCB tirada em seu XIV Congresso Nacional, reafirma a necessidade de reorganização da juventude em nosso país, estabelecendo um campo de alianças anticapitalistas e antiimperialistas. Os ataques a educação e a condição de trabalho que a juventude sofre se configuram como principal área estrutural de ofensiva do neoliberalismo. A hegemonia burguesa mantém o bloco burguês no poder, como condição essencial para a manutenção do capitalismo.
Assim, a UJC compreende a necessidade de manter e aprofundar sua inserção nas suas três principais frentes de atuação: Jovens Trabalhadores, Movimento Estudantil e Cultura.
A frente de Jovens Trabalhadores tem como principal tarefa a busca pela sindicalização dos jovens. A atuação sindical dos jovens comunistas e daqueles que concordam com nossa linha é a atuação em conjunto com a Unidade Classista, dentro da Intersindical, sempre trabalhando em conjunto com o PCB.
No entanto, dada a especificidade da juventude, que se encontra em desemprego ou em trabalhos precarizados e sem condições de sindicalização, a UJC compreende que pode ser criado um mecanismo de mediação. Tal mecanismo de mediação deve buscar organizar os jovens que não estão em condições de sindicalização e encampar as lutas da classe trabalhadora.
No movimento estudantil, a UJC deve empreender esforços pela retomada do papel do movimento estudantil na luta de classes, através do trabalho de base nas escolas e universidades. As entidades nacionais (UNE, UBES) estão caracterizadas pela burocracia, verticalização e distanciamento das históricas bandeiras do movimento estudantil, estando em processo de amoldamento à lógica institucional burguesa.
Dentro de tais condições, e entendendo que a UJC não deve buscar disputar aparelho burocratizado, a atuação não deve ocorrer através da disputa de cargos na UNE/UBES ou em outras entidades igualmente burocratizadas. A atuação da União da Juventude Comunista deve ser através da construção do movimento de base, recuperando o caráter combativo e crítico do movimento estudantil.
Assim, devemos focar nossas atenções na construção de Centros Acadêmicos, Diretórios Centrais, Executivas e Federações de curso, Projetos de Extensões, Grêmios e Associações estudantis através do movimento real, buscando a constituição destes como espaços organizativos dos estudantes e que sejam autônomos diante das escolas, universidades, governos e patrões.
Ainda que as escolas e universidades hoje existentes no Brasil sejam aparelhos de dominação da burguesia, o conflito capital x trabalho não se dá de forma tão clara no movimento estudantil. A defesa pela Educação e Universidade Popular, que atenda aos interesses do conjunto da Classe Trabalhadora e não das grandes empresas, evidencia as contradições do capitalismo.
Nesse sentido, por vezes, pode ser necessário o uso de instrumentos de mediação na busca por organizar todos os estudantes que concordarem com a necessidade de construir o movimento estudantil pela base, buscando a constituição da luta pela Educação e Universidade Popular.
Quanto ao trabalho do movimento cultural, a UJC, entendendo o caráter mercantilizado da cultura de massas, atuará dentro da cultura popular. Consideramos como cultura popular aquela que é resultado da atuação criativa da população, constituindo espaços alternativos de expressão que fujam do controle mercadológico. É através da atuação em conjunto com esses espaços de cultura popular, e através da elaboração de material próprio, que a UJC deverá atuar no próximo período.
Com tais resoluções, o V Congresso Nacional da UJC reafirma seu caráter de Frente de Massas do PCB, seguindo sua linha política e subordinada à estratégia e tática do mesmo, mas que possui uma forma de organização própria, que permite a participação ampla de jovens que não estejam organicamente ligados ao PCB, mas que tenham acordo com tal linha política e ideológica.

Viva a União da Juventude Comunista!
Viva o Partido Comunista Brasileiro!
Viva a Revolução Socialista!
Viva o Internacionalismo Proletário.

UNICEF confirma: em CUBA, 0% de desnutrição infantil


Cira Rodríguez César

Prensa Latina

A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos com baixo peso contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecida mundialmente por estar fora deste mal social.

Esses números alarmantes apareceram em um relatório recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado Progresso para a Infância, um boletim sobre Nutrição, lançado na sede da ONU.

Segundo o documento, a percentagem de crianças com baixo peso é de 28 por cento na África subsaariana, 17 no Oriente Médio e no Norte da África, 15 na Ásia Oriental e Pacífico e 7 na América Latina e Caribe.

O quadro é completado pela Europa Central e Oriental, com 5 por cento, e outros países em desenvolvimento, com 27 por cento.

Cuba não tem esses problemas, e é o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil grave, graças aos esforços do governo para melhorar a nutrição das pessoas, especialmente as mais vulneráveis.

As duras realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas sofrem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Só no México há 5.200.000 pessoas subnutridas e no Haiti, três milhões e 800 mil, enquanto em todo o mundo morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.

De acordo com estimativas das Nações Unidas, seria muito caro conseguir saúde básica e nutrição para todos os povos do Terceiro Mundo.

Porém, bastaria para atender a essa meta 13 bilhões de dólares adicionais por ano para o que se pretende agora, uma cifra que nunca foi alcançada e é minúscula em comparação com os milhões de milhões que são gastos anualmente em publicidade comercial, os 400.000 milhões movimentados pela venda de drogas, ou de até oito bilhões dos gastos em cosméticos nos Estados Unidos.

Para a satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que este é o país com maior progresso na América Latina na luta contra a desnutrição.

O Estado cubano garante uma cesta básica que permite a alimentação da sua população, pelo menos nos níveis básicos, através da rede de distribuição de produtos regulamentados.
Da mesma forma, são feitos ajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a nutrição do povo cubano e aliviar a escassez de alimentos. Especialmente mantém-se uma vigilância constante sobre a vida de crianças e adolescentes. Assim, a atenção para a nutrição começa com a promoção de uma forma melhor e natural de nutrição da espécie humana.

Desde os primeiros dias de vida os inúmeros benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços feitos em Cuba para a saúde e o desenvolvimento da sua infância.

Isso permitiu aumentar a percentagem de recém-nascidos que permanecem até o quarto mês de vida, a amamentação exclusiva e até mesmo a continuidade do consumo de leite, complementada com outros alimentos até os seis meses de idade.

Atualmente, Cuba tem 99 por cento dos recém-nascidos egressos de maternidades com aleitamento materno exclusivo, superior a meta que era de 95 por cento, segundo dados oficiais, o que indica que todas as províncias cumprem essa meta.

Apesar das difíceis condições econômicas atravessadas pela Ilha, se garante a alimentação e nutrição das crianças mediante a entrega diária de um litro de leite a todas as crianças de zero a sete anos de idade.

Adicionando a isso a entrega de outros alimentos, como geléias, sucos e carnes, que, dependendo da disponibilidade econômica do país, são distribuídos de forma equitativa para crianças em idades menores.

Até os 13 anos de idade a prioridade de distribuição subsidiada de produtos complementares, tais como o iogurte de soja, e em catástrofes naturais, as crianças são protegidas pela distribuição gratuita de alimentos básicos.

Crianças incorporadas aos Círculos Infantis (berçários) e escolas primárias com regime de semi-internado também se beneficiam do esforço contínuo para melhorar suas dietas, em termos de componentes dietéticos lácteos e proteína.

Com o apoio da produção agrícola, mesmo em condições de seca severa, e do aumento das importações de alimentos, a ingestão de nutrientes atinge por cima os padrões estabelecidos pela FAO.

Em Cuba, este indicador é a média ficcional da soma do consumo de alimentos pelos ricos e pelos famintos.

Além disso, o consumo social inclui a merenda escolar que é distribuída gratuitamente a centenas de milhares de estudantes e trabalhadores da educação, as cotas especiais de alimentos para crianças de até 15 anos e pessoas acima de 60 nas províncias orientais.

Nesta lista estão cobertas as gestantes, mães lactantes, idosos e portadores de necessidades especiais, suplemento alimentar para crianças com baixo peso e pequeno tamanho, e fonte de alimento para os municípios em Pinar del Rio, Havana e a Ilha da Juventude.

Estas instituições foram atingidas por furacões no ano passado, enquanto as províncias de Holguín, Las Tunas e Camagüey e cinco municípios estão enfrentando a seca.

Nesse empenho colabora o Programa Alimentar Mundial (PAM), que contribui para a melhoria do estado nutricional das populações vulneráveis na região leste, onde se beneficiam mais de 631.000 pessoas.

A cooperação do PAM com Cuba remonta a 1963, quando a agência prestou assistência imediata às vítimas do furacão Flora. Até essa data, realizaram no país cinco projetos de desenvolvimento e 14 operações de emergência.

Recentemente, Cuba deixou de ser um receptor para ser um país doador.

A questão da desnutrição torna-se muito importante na campanha das Nações Unidas para alcançar em 2015 os Objetivos do Milênio, adotada na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo realizada em 2000, e entre seus objetivos está a erradicação da pobreza extrema e da fome até essa data.

Porém, os cubanos dizem que essas metas não vão assustar ninguém, pois a própria ONU coloca o país na vanguarda do cumprimento desses desafios em matéria de desenvolvimento humano.

Não sem deficiências, dificuldades e sérias limitações impostas por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas.

Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos que vivem abaixo do peso no mundo hoje é cubana.